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Perda de olfato: saiba mais sobre o ‘sintoma alarme’ do Covid-19 que afetou Preta Gil

O sintoma conhecido como anosmia pode ser o primeiro sinal da contaminação pelo Covid-19

Beatriz Cresciulo Publicado em 15/04/2020, às 08h00

Perda de olfato: saiba mais sobre o ‘sintoma alarme’ do Covid-19 que afetou Preta Gil - Reprodução/Instagram
Perda de olfato: saiba mais sobre o ‘sintoma alarme’ do Covid-19 que afetou Preta Gil - Reprodução/Instagram

Desde o início da pandemia do novo Coronavírus no Brasil, algumas celebridades diagnosticadas com a doença passaram a usar as redes sociais para falar com seus seguidores sobre os sintomas que sentiram. 

Preta Gil foi uma delas. A cantora, contaminada após ser contratada para se apresentar em um casamento na Bahia em março passada, disse que mesmo depois dos 14 dias de quarentena  e do desaparecimento dos principais sintomas da doença, como dores de garganta e febre alta, ainda estava com perda do paladar e olfato. 

"Não sinto cheiro e gosto de nada. Hoje eu coloquei um perfume que eu uso, para ver se sentia o cheiro, senti lá no fundo, então sinal que pode estar voltando o olfato e paladar", contou em 23 de março em seu Instagram. 

POR QUÊ ISSO ACONTECE? 

De acordo com o otorrinolaringologista Luciano Campelo Prestes, do Hospital IPO de Curitiba (PR), a perda da sensibilidade olfativa, também conhecida como anosmia, é comum em quadros virais como o causado pelo Covid-19. 

Segundo o profissional, no que diz respeito a anosmia, acredita-se que o Coronavírus comporta-se de maneira parecida com os demais causadores de viroses respiratórias, como gripe e resfriado. 

“O vírus atua inibindo o olfato por meio da substituição do epitélio nervoso, célula nervosa responsável pela captação do cheiro, para um epitélio respiratório, que diferentemente do anterior não tem a capacidade de enviar o estímulo até o cérebro”, explica.

SINTOMA INICIAL DO COVID-19

O médico destaca, porém, que diferentemente das demais viroses respiratórias, a perda do olfato tem sido apontada em estudos internacionais como o primeiro ou único sintoma apresentados pelas pessoas diagnosticadas com o novo Coronavírus. 

“O paciente começa o quadro referindo perda de olfato e isso que é um ponto novo, diferente das gripes e resfriados que a gente está acostumado a ter. Elas não chegam a anular o olfato desde o princípio”, revelou em entrevista à AnaMaria Digital. 

GRUPOS DE RISCO 

Apesar de não manter uma relação direta com as complicações trazidas ao trato respiratório, como a pneumonia, a perda do olfato promovida pelo Covid-19 também se manifesta de maneira mais violenta em pessoas mais velhas. 

Prestes ressalta que a idade é um fator crucial na capacidade de regeneração de células nervosas. Isto é, quanto mais velho, maiores os riscos do desenvolvimento de lesões irreparáveis. Essa realidade, por sua vez, faz com que aqueles com mais de 50 anos sejam mais propensos do que crianças e jovens a perderem o olfato. 

“O sentido do olfato é sustentado por uma base de neurônios, essa condução nervosa vai desde o nariz até a recepção central, localizada no cérebro. Qualquer condição que aumente a chance de ter uma lesão nesta condução, maior a chance de ocorrer a anosmia”, esclarece. 

Além dos mais velhos, o profissional relembra que outros membros do grupo de risco são: os portadores de doenças respiratórias pré-existentes, como bronquite e asma, além dos tabagistas e pessoas com enfisema pulmonar. 

QUANTO TEMPO LEVA PARA VOLTAR AO NORMAL? 

O  período de permanência do sintoma costuma durar aproximadamente catorze dias, o mesmo que o tempo de incubação do vírus no metabolismo. 

Mas se a anosmia permanecer por mais tempo, é importante consultar um especialista, já que o sintoma também pode ser indicativo de outros tipos de doença, como tumores nasais e cerebrais, ou algumas enfermidades neurológicas, como Esclerose Múltipla e Alzheimer. 

RELAÇÃO COM A PERDA DO PALADAR 

O otorrino ainda destaca que a anosmia têm relação direta com a ageusia, perda do paladar, já que são dependentes. 

Acontece que os dois sentidos são chamados de ‘viscerais’, já que eles se relacionam diretamente com a alimentação, e consequentemente, com o funcionamento de órgãos como a boca, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus

Além disso, tanto o olfato quanto o paladar são acionados por meio de moléculas químicas que estão presentes nas mucosas do nariz e da saliva, ocasionando o cheiro e o gosto. Vale destacar que alguns aromas estão diretamente ligados com a maneira como sente-se o sabor de determinados alimentos.

“A maioria dos pacientes que apresenta um paladar alterado, como uma diminuição, por exemplo, normalmente têm o sentido do olfato afetado também”, assegura. 

PODE SER DEFINITIVO?

O desenvolvimento do Covid-19 tem sido estudado em comparação aos demais vírus respiratórios. Sendo assim, da mesma maneira como acontece nas gripes e resfriados já conhecidos, o Coronavírus apresenta uma parcela de risco de causar perda de olfato e paladar definitiva.

Sem um tratamento específico para reverter o quadro da anosmia viral, os profissionais da saúde costumam receitar medicamentos como anti-histamínicos, descongestionantes nasais, antibióticos ou corticóides viabilizando o alívio do sintoma. 

Entretanto, o médico revela que o quadro pode ser irreversível em pacientes que persistem com a perda do olfato por mais de duas ou três semana. 

“A gente acredita que o Coronavírus deva causar a anosmia como sequela em uma proporção parecida aos demais vírus, algo entre 15% a 20% dos casos”, declara.