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Pescador diz que decidiu matar Bruno e Dom sozinho, mas polícia desconfia

A polícia suspeita que os assassinatos tenham sido ordenados por outra pessoa

Da Redação Publicado em 17/06/2022, às 12h36

No momento, o inquérito tramita formalmente na Polícia Civil do Amazonas - Reprodução/TV Globo
No momento, o inquérito tramita formalmente na Polícia Civil do Amazonas - Reprodução/TV Globo

O pescador Amarildo Oliveira, conhecido como “Pelado”, confessou, em seu depoimento, que assassinou Bruno Pereira e Dom Phillips por não aceitar as ações do indigenista na área de pesca e caça ilegais no Vale do Javari. A polícia suspeita que isso não seja verdade.

A Polícia Federal suspeita que a morte do brasileiro e do britânico tenha sido uma ordem de algum atravessador para quem Pelado trabalha. Um dos possíveis mandantes é conhecido como “Colômbia”, que tem ligação com grupos de narcotraficantes da Tríplice Fronteira com Peru e Colômbia. Outros nomes também estão sob suspeita.

Pelado foi preso em 7 de junho, mas só confessou que foi ele o executor do crime na madrugada do dia 15. No dia anterior, ele viu o irmão Oseney Oliveira, conhecido como “Dos Santos”, ser confinado por indícios de envolvimento com o caso.

Segundo apuração do Estadão, a confissão de Pelado foi uma tentativa de isentar o irmão das acusações, mas as investigações da polícia mostram que ambos tiveram participação no crime.

Tanto a Polícia Civil do Amazonas quanto a Polícia Federal investigam o caso. No momento, o inquérito tramita formalmente na esfera estadual, mas ainda não se sabe se permanecerá assim.

Tudo depende do futuro das investigações: se for confirmado o elo com o tráfico de drogas internacional ou surgirem indícios de crimes contra povos indígenas, o caso passará à esfera fedral.

JUSTIÇA

Alessandra Sampaio, esposa de Dom Phillips, divulgou uma carta na noite da última quarta-feira (15), após os restos mortais de seu marido e do ativista Bruno Pereira terem sido encontrados pela Polícia Federal, em uma região deserta, a mais de 3 km de distância de matas de casa do principal suspeito do crime. Os dois estavam desaparecidos desde o dia 5 de junho.

De acordo com o UOL, ela ainda aguarda notícias mais concretas, mas avalia que "este desfecho trágico põe um fim à angústia de não saber o paradeiro" dos dois. Além disso, ainda mandou uma mensagem de solidariedade a Beatriz Matos, esposa do indigenista, e a toda família dele. “Agora podemos levá-los para casa e nos despedir com amor", escreveu.

Para Alessandra, também se inicia uma jornada por justiça. "Espero que as investigações esgotem todas as possibilidades e tragam respostas definitivas, com todos os desdobramentos pertinentes, o mais rapidamente possível", escreveu.

No final, a esposa do jornalista ainda agradeceu a todas pessoas que participaram das buscas, com maior ênfase aos indígenas da região e membros da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari). Alessandra também fez menção a quem, "mundo afora", cobrou respostas rápidas.

LEIA A CARTA COMPLETA

Embora ainda estejamos aguardando as confirmações definitivas, este desfecho trágico põe um fim à angústia de não saber o paradeiro de Dom e Bruno. Agora podemos levá-los para casa e nos despedir com amor.

Hoje, se inicia também nossa jornada em busca por justiça. Espero que as investigações esgotem todas as possibilidades e tragam respostas definitivas, com todos os desdobramentos pertinentes, o mais rapidamente possível.

Agradeço o empenho de todos que se envolveram diretamente nas buscas, especialmente os indígenas e a Univaja. Agradeço também a todos aqueles que se mobilizaram mundo afora para cobrar respostas rápidas.

Só teremos paz quando as medidas necessárias forem tomadas para que tragédias como esta não se repitam jamais. Presto minha absoluta solidariedade com a Beatriz e toda a família do Bruno.

Abraços,

Alessandra Sampaio.