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Presidente da Anvisa critica atitude de Bolsonaro e cobra retratação

Comunicado veio após Bolsonaro comentar que agência teria ‘interesses’ por trás da vacinação

Da Redação Publicado em 09/01/2022, às 07h46

Antonio Barra Torres repreendeu e exigiu retração de Bolsonaro - Reprodução/Anvisa e Instagram
Antonio Barra Torres repreendeu e exigiu retração de Bolsonaro - Reprodução/Anvisa e Instagram

O diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, emitiu uma nota, na noite do último sábado (8), na qual critica fortemente algumas falas do presidenteJair Bolsonaro (PL). O comunicado exige ainda uma retratação por parte do governante.

Para compreender o motivo da repreensão, é necessário voltar à última quinta-feira (6). Na ocasião, um dia após o cronograma de vacinação infantil ser anunciado, Bolsonaro acusou técnicos da Anvisa de terem ‘interesses’ por trás da imunização, dizendo também que não iria vacinar sua filha, de 11 anos.

“O que é que está por trás disso? Qual é o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual é o interesse daquelas pessoas ‘taradas por vacina’? É pela sua vida? É pela sua saúde? Se fosse estariam preocupados com outras doenças do Brasil, que não estão”, criticou o presidente, em entrevista à TV Nova Nordeste, de Pernambuco.

Desse modo, após ter consciência da declaração, Barra Torres rebateu Bolsonaro, afirmando que não cometeu erros de corrupção e desafiando o governante a iniciar uma investigação caso tenha provas de irregularidades.

“Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar”, disse.

Na sequência, o presidente da agência ainda citou a religiosidade, muito pregada por Jair Bolsonaro, e cobrou uma retratação.

“Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate. Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente. Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário”, finalizou.

Leia o comunicado na íntegra:

“Em relação ao recente questionamento do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, quanto à vacinação de crianças de 05 a 11 anos, no qual pergunta “Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí?”, o Diretor Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, responde:

Senhor Presidente, como Oficial General da Marinha do Brasil, servi ao meu país por 32 anos. Pautei minha vida pessoal em austeridade e honra. Honra à minha família que, com dificuldades de todo o tipo, permitiram que eu tivesse acesso à melhor educação possível, para o único filho de uma auxiliar de enfermagem e um ferroviário.

Como médico, Senhor Presidente, procurei manter a razão à frente do sentimento. Mas sofri a cada perda, lamentei cada fracasso, e fiz questão de ser eu mesmo, o portador das piores notícias, quando a morte tomou de mim um paciente. Como cristão, Senhor Presidente, busquei cumprir os mandamentos, mesmo tendo eu abraçado a carreira das armas. Nunca levantei falso testemunho.

Vou morrer sem conhecer riqueza Senhor Presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso, à frente da Anvisa. Prezo muito os valores morais que meus pais praticaram e que pelo exemplo deles eu pude somar ao meu caráter.

Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar.

Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate. Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente. Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário”