AnaMaria

Sem medo de reconhecer o seu valor

Quando identificamos nossos pontos fortes e aceitamos quem realmente somos, nossa autoestima se eleva. E nada melhor do que isso para viver bem

Júlia Arbex Publicado em 22/12/2017, às 14h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Sem medo de reconhecer o seu valor - Cadu Pilotto
Sem medo de reconhecer o seu valor - Cadu Pilotto

Há quatro anos, Betty Faria foi à praia de biquíni. O que era para ser natural, afinal, maiô e biquíni devem ser usados na praia, virou polêmica. A
atriz, que tinha 72 anos na época, recebeu muitas críticas dos internautas. “Velha baranga”, “ela não tem espelho em casa?” e “ela é muito velha para usar isso” foram alguns dos comentários maldosos. Inconformada com a repercussão, ela rebateu: “Então querem que eu vá à praia de burca, que eu me esconda, que me envergonhe de ter envelhecido? E a minha liberdade? E o prazer, a alegria, meu humor?” E será que aprendemos a lição ou estamos agindo como quem criticou Betty? Conversamos com especialistas para entender um pouco sobre essa sociedade do consumo que insiste em criar padrões de beleza...

Ditadura que muda o tempo todo 

É fato: as pessoas que estão sempre buscando modelos ideais são aquelas que têm problemas na autoestima e que são inseguras. Hoje em dia, somos bombardeados de informações que nos impõem que devemos ser sempre jovens, magros, bonitos, bem-sucedidos profissionalmente e ter muito dinheiro para gastar. É casado(a)? Você precisa também ter filhos perfeitos, que estudam nas melhores escolas. Infelizmente, na maioria das vezes, as mulheres sofrem mais com isso, já que tendemos a valorizar mais a aparência do que os homens.
“Se a pessoa insegura, que insiste em seguir os padrões impostos, não tomar cuidado, ela vai acabar deixando de ser ela mesma”, explica a psicóloga Jozi da Silva Marinho. Para não correr o risco de nos sentirmos assim, o psicólogo e coach Roberto Debski aconselha trabalhar a maneira como nos vemos. “A autoaceitação emana uma aura de beleza que transcende o físico, e atrai as pessoas em volta.” Para o também psicólogo e coach Maxuel Matos, aqueles que se preocupam com o ‘ser’ e não com o ‘ter’ são mais felizes e realizados consigo mesmos e,
consequentemente, têm uma autoestima elevada. Por isso, preocupe-se em ser você mesma. Acha que precisa ‘sair da caixinha’ ou ousar? Não tenha medo. Apenas saia e ouse.

Sinais de baixa autoestima

Ter uma boa autoestima é a chave para reconhecer nosso próprio valor e nos sentirmos amadas e aceitas pelos outros. “A pessoa com a autoestima baixa tem dificuldade em impor limites, de dizer ‘não’. Ela abre mão dos seus gostos e desejos só para agradar ao outro. Além disso, tem dificuldade em perceber seus valores e desconfia quando alguém a elogia”, diz Matos. Debski completa: “É uma pessoa que vive tentando ser aceita, muitas vezes vive em relacionamentos insatisfatórios ou abusivos, por não acreditar que merece mais do que recebe, abrindo mão de seus objetivos e muitas vezes de seus princípios e valores”.

Mas por que isso acontece?

O indivíduo que tem a autoestima baixa pode ter recebido pouca atenção, carinho e amor na infância, além de ter ficado muito próximo de pessoas que criticaram e desvalorizaram suas características pessoais. “Por não ter se sentido visto por seus pais, quem tem a autoestima baixa sempre fará o possível para encontrar esse amor e aceitação dos pais na figura daqueles com quem se relaciona, como, por exemplo, no parceiro, amigos, colegas de trabalho e chefes”, explica Debski.

Julgamento: a pior característica

“O julgamento e a crítica fazem parte do perfil da pessoa com autoestima baixa, pois ao fazer isso, ela coloca o outro no mesmo patamar que ela. Ou seja, inconscientemente, esse indivíduo, que não consegue enxergar suas características positivas, pensa: ‘não me importo em ser incapaz, inseguro e sem qualidades desde que a outra pessoa seja igual ou pior que eu’”, esclarece Matos.

Eleve essa moral, mulher!

A mudança de postura pode ser um processo demorado, mas saiba que é melhor dar um passo de cada vez (mesmo que pequeno) do que ficar parada. Para aprender...

1 Pegue uma caneta e um papel grande e enumere suas qualidades e virtudes. Assim, poderá analisar seus pontos fortes e aqueles que podem ser melhorados.

2 Perceba que, assim como você, todas as pessoas têm pontos positivos e negativos.

3 Ouse fazer diferente, sem medo de ser julgada.

4 Quando falhar e as pessoas comentarem, deixe as críticas de lado. Apenas aprenda com seus erros para, da próxima vez, errar algo diferente.

5 Invista energia para fazer o que gosta e o que te faz se sentir completa. 

6 Reduza as expectativas consigo mesma e encare cada dia como um aprendizado.

7 Construa relações saudáveis e conviva com pessoas positivas. Isso te deixará mais positiva e, consequentemente, mais leve e feliz.

8 Dedique-se a alguma atividade voluntária e seja grata por tudo o que aconteceu na sua vida.

9 Pratique alguma atividade física, pois, além de trazer benefícios para a saúde, libera hormônios responsáveis pelo prazer e bem-estar.