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Vanusa morre aos 73 anos; relembre a carreira da Jovem Guarda até os palcos do Brasil

Cantora foi uma das maiores artistas brasileiras dos últimos anos e passou pela TV, teatro e música

Da Redação Publicado em 08/11/2020, às 09h50 - Atualizado em 09/11/2020, às 08h52

De vocalista à ícone musical da Jovem Guarda - TV Globo/Reprodução
De vocalista à ícone musical da Jovem Guarda - TV Globo/Reprodução

A cantora Vanusa, de 73 anos, morreu na manhã deste domingo (8), na casa de repouso em Santos (SP), onde morava há mais de 2 anos.

Segundo comunicado da família, a morte foi decorrência de uma insuficiência respiratória. Antes, ela havia passado 32 dias internada por conta de uma pneumonia, e precisou respirar com a ajuda de aparelhos.

Natural da cidade de Cruzeiro (SP), Vanusa Santos Flores nasceu em 22 de agosto de 1947. Criada nas cidades mineiras de Uberaba e Frutal, aos 16 anos tornou-se vocalista do conjunto Golden Lions, um dos grandes passes em sua carreira de cantora.

Em uma das apresentações da banda, foi ouvida por Sidney Carvalho, da agência de propaganda Prosperi, Magaldi & Maia, que a convidou para ir a São Paulo. 

Em 1966, durante os últimos anos do movimento cultural Jovem Guarda, apresentou-se no programa ‘O Bom’, de Eduardo Araújo, na extinta TV Excelsior de São Paulo. Logo, teve seu talento reconhecido e bombou com a canção ‘Pra Nunca Mais Chorar’. Ela participou do programa ‘Jovem Guarda’, da TV Record, em suas duas últimas edições, em 1968.

ARTISTA COMPLETA

Naquele mesmo ano, gravou seu primeiro álbum, e estreou como compositora em três canções, uma delas em parceria com David Miranda. Cinco anos depois, em seu quarto LP, lançou seu maior sucesso até então: ‘Manhãs de Setembro’, composta em parceria com Mário Campanha. Em seguida, emplacou outro hit: ‘Paralelas’.

O carisma dela pelo público foi tanto que ela protagonizou, ao lado de Ronnie Von, a novela ‘Cinderela 77’ (1977), na Rede Tupi. Na história, ela viveu uma versão repaginada e brasileiro do clássico conto de fadas.

(Reprodução/RedeTupi)

A artista também fez aparições no cinema, nos filmes "Pobre príncipe encantado", de Daniel Filho (1969), e "Com a cama na cabeça", de Mozael Silveira (1972).

Vanusa exaltou sonho de se tornar atriz ao estrear no Teatro Santa Catarina (SP), em 1999, o musical ‘Ninguém é Loira Por Acaso’, escrito e produzido pela jornalista Léa Penteado de quem é amiga desde os anos 70. 

No musical autobiográfico, além de cantar seus sucessos, ela estimulou as mulheres a não abdicarem dos seus sonhos. "Eu mesma estou realizando um, que é o de ser atriz", comentou ela na ocasião.  Antes, ela atuou em Hair (1973).

MÚSICA

Ao longo de sua carreira, gravou 23 discos e vendeu mais de três milhões de cópias. Representou o país em vários festivais internacionais e recebeu cerca de 200 prêmios. Por dois anos seguidos, foi eleita a Rainha da Televisão. Os 40 anos de comemoração da Jovem Guarda também a levaram para diversos concertos especiais em 2005.

A história de sua vida veio à tona em ‘Vanusa - A Vida Não Pode Ser Só Isso!’, uma autobiografia publicada em 1997. Só que a obra foi apreendida um dia após o lançamento, por conta de problemas na Justiça com o cantor Wanderley Cardoso. O livro voltou para as plateleiras no ano seguinte. 

Em 2015, lançou seu primeiro álbum de canções inéditas em 20 anos. A obra contou com composições de Vander Lee, Ângela Rô Rô e Zé Ramalho.

A cantora foi casada duas vezes: com o músico Antônio Marcos, com quem teve as filhas Amanda e Aretha, e com o ator e diretor de televisão Augusto César Vannucci, pai do seu filho Rafael Vannucci.

Em 2009, Vanusa virou piada na internet após confundir a letra do Hino Nacional durante uma cerimônia na Assembleia Legislativa de São Paulo. O episódio a fez descobrir a labirintite nervosa e uma série de problemas psicológicos.