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Folia e fantasia: o que o Carnaval pode ensinar aos nossos filhos?

Entenda sobre a origem do Carnaval e como ele pode trazer alguns ensinamentos a nossas crianças

*Priscila Correia, do Aventuras Maternas, colunista de AnaMaria Digital Publicado em 25/02/2022, às 08h20

Carnaval pode ser uma oportunidade de trazer ensinamentos aos pequenos. - Arquivo pessoal
Carnaval pode ser uma oportunidade de trazer ensinamentos aos pequenos. - Arquivo pessoal

Os brasileiros vivenciaram algo em 2021 que jamais poderíamos imaginar: o cancelamento das festas de Carnaval. Infelizmente, este ano a história se repete, com o avanço da Ômicron e o país patinando entre altos e baixos da pandemia. Por conta disso, governos de todas as esferas optaram por transferir a data para abril. A boa notícia é que bailinhos e comemorações dentro de casa, especialmente para que as crianças possam se divertir nesses dias de feriado, estão liberados.

Mas Carnaval não é apenas um período para pular ou descansar. Para quem tem crianças, esta pode ser uma boa oportunidade para os pais levantarem assuntos importantes, especialmente por meio das marchinhas. Com a maioria datada do século passado, não faltam letras racistas, misóginas, homofóbicas e até de maus tratos em animais. E aí fica a questão: devemos continuar pautando a festa nessas músicas já tradicionais da data, não tocá-las ou aproveitar para conversar com os filhos sobre mensagens erradas do passado que podem se transformar em ensinamentos para o futuro?

Na coluna de hoje, vamos abordar essa festividade que é a cara do Brasil sob diversas óticas: pela história, pelo clima festivo e sua importância para a nossa cultura; pelas músicas, para falarmos sobre letras que precisam ser discutidas e, se possível, reinventadas; e sobre a festa em si, é claro, com dicas para uma comemoração com segurança.

A IMPORTÂNCIA DO CARNAVAL

carnaval
Crédito: Matheus Frade/Unsplash

Se uma pessoa de outro país nos perguntar sobre o significado do Carnaval, provavelmente vamos responder que é uma festa popular regada a samba, confetes e serpentinas. Sua origem, porém, poucos conhecem.

Breno Câmara, professor de História no Complexo Educacional Contemporâneo, de Natal (RN), explica que, historicamente, o Carnaval representa uma festa sincrética, ou seja, marcada pela fusão cultural. Sua origem remonta à Antiguidade Ocidental, apontando um período anual de celebrações em torno dos prazeres humanos. Baco, divindade greco-romana, era o foco dos festejos, uma vez que seus atributos estão ligados ao vinho, à embriaguez e à paz.

“Sendo o Carnaval, de acordo com o seu princípio etimológico latino, carnem levare (afastar-se da carne), temos assim a dimensão do momento e de sua permanência atrelada à cultura cristã. Por se tratar de um período de excessos, a Igreja Católica absorveu a festa como uma maneira de preparação para um longo período de abstinências, a Quaresma”, explica.

Embora a maioria pense que o Carnaval seja um símbolo brasileiro - até porque existe no exterior uma associação quase instantânea da palavra ao Brasil - sua origem não se deu aqui, mas na Europa. A festividade foi trazida pelos portugueses por volta do século 16 e acontecia, lá no início, durante o entrudo, período que antecedia a Quaresma e que era marcado por brincadeiras e jogos populares (às vezes bastante violentos). Durante três dias, pessoas de todas as classes sociais e etnias se misturavam para brincar nas ruas. Mas com o passar do tempo, a festa foi se transformando até chegar ao que conhecemos hoje como Carnaval.

O Professor de História do Colégio Pensi, no Rio de Janeiro, Renato da Cruz Cunha, que também é compositor da Mocidade Independente de Padre Miguel, da Unidos de Vila Isabel, da Difícil é o Nome e da Caprichosos de Pilares, onde também é ritmista da bateria, explica que, apesar de pensarmos no evento como uma referência para a nossa cultura popular, há todo um lado econômico envolvido na festa. Afinal, faz parte do calendário oficial de muitos estados. “E isso acontece não apenas no Rio de Janeiro, que é conhecido mundialmente pelos desfiles das escolas de samba na Sapucaí. A maioria dos estados brasileiros tem alguma comemoração anual ligada ao tema, seja com desfiles ou com os famosos trios elétricos, que também movimentam enormes cifras", lembra.

Outro ponto bastante interessante se refere às mudanças que a festa passou nos últimos tempos. São muitas diferenças entre o Carnaval da década de 1980 e o que acontece hoje em dia. "Eu destacaria a maior aproximação das pessoas com as escolas de samba e suas raízes na década de 1980, além de bailes e atividades populares. As festas de rua deram uma retomada na sua força nos últimos anos, mas ainda assim vêm sendo muito atacada por diversos setores da sociedade. Na minha opinião, a questão mais importante é como as escolas de samba perderam a referência, principalmente para a juventude. Vejo cada vez mais alunos sem interesse nas agremiações e no que elas representam para a cultura da cidade. Acredito que nós devemos apresentar o Carnaval como um evento que representa nossa cultura e identidade. E, para isso, escolas de samba e grupos carnavalescos devem buscar retomar seu contato com as comunidades”, avalia o coordenador de História do Pensi.

PRECONCEITO NO PASSADO, EMPATIA NO FUTURO

De tempos em tempos, não é difícil encontrar manifestações populares passando por uma repaginada – quem não lembra do famoso desenho Pepé Le Pew, que foi “cancelado” há pouco tempo devido ao conteúdo impróprio? Embora, neste episódio específico do desenho, muitos tenham achado absurdo ou exagerado o desfecho, a verdade é que há, sim, algumas obras que precisam ser revistas; e entre elas se encontram diversas marchinhas, que esbanjam letras com preconceitos e até de incentivo a violência.

mãe e filho
Mara Oliveira, mãe do Pedro, acredita que algumas marchinhas deveriam ser reeditadas à realidade atual. (Crédito: Arquivo pessoal)

Para Mara Oliveira, mãe do Pedro, de 4 anos, essas marchinhas deveriam ser reeditadas e adequadas à nossa realidade atual. “Eu tento adequar e ensinar uma versão nova da música. Geralmente não contextualizo muito o motivo com meu filho. Ele é muito pequeno e ainda não entende a profundidade de alguns temas. Por isso, tento ser o mais suave possível na abordagem e, caso ele tenha curiosidade, vou conduzindo. O que considero primordial é explicar o quanto aquela fala pode ferir alguém e isso é a minha prioridade”, pontua.

Elisa Martins Gryga, mãe do Lucas, de 4 anos, e Clarice, de 3, enxerga essas marchinhas como uma infeliz decorrência da nossa história e cultura. E justamente por entender como parte do processo histórico e cultural do País, não acha correto reedita-las. “Penso que as questões do racismo e machismo estrutural e homofobia estão bastante incrustados em nossa cultura e devem ser debatidas e as manchinhas podem e devem servir como exemplos negativos. Também acho importante que a produção cultural nova e atual se adeque aos padrões atuais importantes", avalia.

Ela ainda vê um pouco esse movimento como uma possibilidade de apagamento da história cultural do País. "Por isso, me parece estranho. Isso não significa, porém, que o fato de achar que a manutenção da íntegra desses textos seja equivalente a concordar com as ideias ali colocadas. Vejo que é importante o debate e o entendimento que aquilo pode ser de mal gosto, como várias outras coisas que acontecem em nossa sociedade”, diz.

De fato, muitas músicas carnavalescas têm forte padrão racista e de homofobia e isso talvez “se explique” por terem sido produzidas em um período em que se naturalizava esse tipo de prática. O professor do Pensi, porém, não pensa que essas letras devam ser reeditadas. “Acredito na produção de novas marchinhas e que esta geração tem capacidade de enxergar uma nova realidade social e histórica, garantindo algo mais transformador e efetivamente libertário, sem essas raízes preconceituosas que nossa sociedade foi forjada."

Sobre a possibilidade das crianças ouvirem e reproduzirem trechos dessas marchinhas, ele diz que, como educador, acredita profundamente na conversa sobre o assunto. “Esta faixa etária é muito generosa e atenta às necessidades das demandas sociais. Apresentar aos mais novos o quanto essas questões geram dor e angústia nas pessoas, com certeza vai produzir uma grande revolução nas mentalidades e uma grande ação de empatia por parte deles”, esclarece.

Para Breno, expressões como "no meu tempo não era assim" ou "antigamente não tinha isso", para tentar justificar a permanência de práticas de preconceito, é completamente inválido. “Temos o passado para recorrer a referências, não para voltarmos a ele. Se tratando dessas marchinhas, elas são negativas. A brincadeira só existe quando todos concordam e não quando um agride e o outro sofre. A brincadeira depende do riso daquele que é objeto dela, e nunca dá vergonha de quem é visto como alvo. A reedição ou possivelmente a exclusão de algumas canções deve existir sim, ainda que tarde”, enfatiza.

mãe e filhas
Thaís Gasparin e as gêmeas, Clara e Elisa, vão passar o Carnaval em família. (Crédito: Arquivo pessoal)

Para Thaís Gasparin, mãe das gêmeas Clara e Elisa, de 10 anos, a reedição dessas marchinhas será um processo natural. “Quando eu era criança, passava mais despercebido, mas para as crianças de hoje, não. Elas são bem mais atentas ao que se fala e o que isso quer dizer. Inclusive, hoje em dia, eu reparo muito mais nas letras e converso com elas sobre o que acham, discuto sobre o porquê de cantarem assim naquela época, e abordo sobre como podemos mudar alguns estigmas, pensamentos machistas, homofóbicos, entre tantos outros”, diz.

A pedagoga e psicopedagoga Ana Cristina Gatti, coordenadora Pedagógica e Educacional do Domus Sapientiae, em São Paulo (SP), levanta outro ponto importante sobre as marchinhas: as letras de duplo sentido, que algumas vezes incluem conteúdos inadequados para crianças. “Acredito ser importante, ao apresentar as músicas às crianças, selecionar o teor das letras e, caso contenha ideologias ou preconceitos, não apresentar. Crianças pequenas seguem e reproduzem modelos sem maturidade para interpretação de significados e contextos históricos. Considero errado incentivar a reprodução de conteúdo que fere a dignidade, orientações e integridade das pessoas. Já com crianças mais velhas, as marchinhas tornam-se um excelente recurso para abordar esses conteúdos de forma espontânea e crítica, sem necessidade de reedição, mas trazer à luz o contexto da época, descentralizar o pensamento e refletir também sob a perspectiva do outro”, complementa.

Mas para os pais que optarem por não tocar nenhuma marchinha antiga, há opções atuais e cheias de mensagens bacanas, como as músicas do Mundo Bita e da Palavra Cantada, que as crianças adoram. “Muitos artistas contemporâneos têm tido uma preocupação com estas questões e vem produzindo algumas canções carnavalescas, mas com letras que ajudam a trabalhar diversas habilidades como disciplina, socialização, questões motoras, entre outras”, comenta Regiane Furtado, pedagoga e professora do Pensi.

O CARNAVAL PARA AS CRIANÇAS

criança no carnaval
Crédito: Arquivo pessoal

 Se, para a maioria dos adultos, o Carnaval representa festas e momentos de máxima descontração e alegria, para as crianças vai muito além disso: é criatividade, ludicidade, felicidade, cultura. Regiane explica que pelo fato do Carnaval ter um lado lúdico muito especial, a data pode ajudar a estimular o conhecimento cultural das crianças. “O Brasil é um país multicultural e o carnaval faz parte dessa mistura. E uma maneira interessante de apresentar o tema é a partir de histórias infantis, como, por exemplo, com a turma da Mônica, que explica por meio dos personagens como o entrudo, que deu origem ao carnaval, surgiu no país”, explica.

Além disso, diz, o uso de fantasias estimula a criatividade das crianças e possibilita que elas entrem no mundo da imaginação, fazendo com que se sintam mais seguras, estimulando sua criatividade e auxiliando muitas vezes para que elas expressem seus sentimentos. “Muitas vezes, tais fantasias são escolhidas de acordo com o que é apresentado às crianças no seu dia a dia. Vale observar e orientar tais escolhas e perceber o quanto o meio tem influenciado os pequenos”, comenta.

Ainda sobre a importância das fantasias para os pequenos, Ana Cristina Gatti explica que, ao se fantasiar, a criança assume papéis e demonstra sentimento, reproduzindo suas impressões acerca do seu cotidiano. Por meio das cores e dos personagens, ela brinca de forma mais livre com esses conteúdos. “O momento do carnaval é propício para isso, é quando a brincadeira e a criatividade são permitidas e estimuladas pela maioria. Com a individualidade protegida das críticas e julgamentos, a fantasia nos liberta e nos permite interagir de forma livre e despreocupada. As diferenças e preconceitos são minimizados e, por isso, o Carnaval é conhecido como uma festa democrática. É um momento em que todos aproveitam e interagem independentemente da cor, do país ou da classe social”, diz.

Ela lembra, ainda, que, na Educação Infantil, as crianças vivenciam o jogo simbólico, uma fase especial do crescimento, sendo comum o uso de fantasias e a incorporação de personagens que auxiliam na resolução de conflitos internos e externos. “A fantasia satisfaz nossos desejos profundos e que precisam ser satisfeitos imediatamente. Tem como função substituir uma satisfação real impossível por uma satisfação fantasiada possível”, complementa.

Mas é necessário lembrar, entretanto, que na hora de escolher como vestir os pequenos, é preciso ter cuidado com algumas fantasias, como as que possam causar fobias, medo ou gerar qualquer desconforto entre as crianças. “Devemos ter em mente que etnia não é fantasia e, na maioria das vezes, vêm acompanhadas de estereótipos e preconceitos vividos por povos, banalizando suas histórias reais em prol da própria diversão. Há quem diga que é uma forma de homenagem, mas transformar dores em brincadeiras não é válido. Homenagear é demonstrar respeito, escutar as dores e buscar mudanças efetivas na sociedade, e não fazer piada”, enfatiza Ana Gatti.

Ela destaca ainda que historicamente, o “blackface” foi utilizado pelos europeus e norte-americanos para ridicularizar a população negra. "Longe apenas de pintar a pele de preto, brancos se apresentavam em espetáculos humorísticos com comportamentos associados aos negros de forma exagerada e depreciativa”. Ou seja, “fantasias” assim devem ser terminantemente evitadas.

E nas escolas? Como as instituições podem “aproveitar” a data com as crianças? Ana Cristina esclarece que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prescreve que o currículo e a prática da Educação Básica devem incluir, necessariamente, o repertório cultural, que é a competência de valorizar e fruir diversas manifestações artísticas e culturais, seja no plano local, regional, nacional e internacional. “Na Educação Infantil, o Carnaval é uma rica oportunidade para trabalhar o repertório cultural, uma ferramenta valiosa para mostrar, de um lado, a dimensão transcultural e transgeracional da festividade e, de outro, acentuar suas manifestações por meio das brincadeiras, interações e vivências nos diferentes campos de experiências que promovam, no decorrer de toda a educação básica, o desenvolvimento de diferentes habilidades”, pontua.

No Domus Saoientiae, por exemplo, nas semanas que antecederam a data comemorativa, cada uma das turmas desenvolveu estudos sobre as características e especificidades do carnaval, em suas diferentes formas e regiões. “A sensibilização foi feita com o uso de marchinhas, sambas enredo e convenções rítmicas que integram os desfiles, sempre prezando, além da apropriação do tema, por um momento divertido”, complementa. Já Regiane, diz que as escolas têm apresentado o carnaval de forma lúdica e cultural, onde os pequenos fazem desfiles de fantasias, constroem máscaras usando a criatividade e brincam com confetes e serpentinas socializando com os amigos.

CARNAVAL EM CASA

Embora este ano, a folia só tenha data marcada para abril, será possível celebrar o feriado com direito à fantasia, música e diversão tanto nas escolas, quanto em casa.

Elisa, mãe de Lucas e Clarice, conta que pretende viajar com eles já que não se sente segura de levá-los para o Carnaval de rua ou bailinhos. “Talvez faça algo com amigos próximos para não passar em branco”, avalia. E para criar um clima bem de acordo com a data, não pode faltar serpentina, confete, brilho, maquiagem, música, instrumentos musicais com batuque e fantasias.

Na casa de Thaís, a comemoração será com a família, juntando os primos mais próximos para brincar, dançar e se maquiar do jeito que acharem mais bonito, com bastante cores e glitter. “Vai ter confete, serpentina e espuma. Já sobre as comidas, penso em algo leve e refrescante, lanchinhos, pão de queijo, suco e água para hidratar, e guloseimas com muito geladinho, sorvete e açaí”, exemplifica.

A produtora de eventos Lourdes Correia, da Étoile Eventos, explica que, sim, é possível fazer uma festa de carnaval em casa, mais intimista, mas ao mesmo tempo bastante divertida para os pequenos, inclusive aproveitando o momento para falar mais sobre a cultura e o carnaval. “É possível dar ênfase à parte cultural com muito DIYS (do it yoursef), ajudando as crianças a produzirem suas próprias fantasias e máscaras, e conversando sobre o que aquela indumentária representa”. Na parte da decoração, confetes e serpentinas podem trazer um ar retrô, de festas mais 'raiz'. “Podemos também pendurar máscaras, gravuras de pierrôs e colombinas pelas paredes, bem coloridas”, complementa.

Já na hora de escolher o que servir para os participantes, a aposta deve ser em bebidas refrescantes, como água de coco, drinks com frutas e sem álcool para os pequenos ou alcoólicos para os adultos. Para comer, wraps recheados com queijo, presunto e alface, sanduíches naturais de frango ou atum decorados com tomate, cenoura e alface, chips variados”, sugere Lourdes.

Regiane, do Pensi, dá ainda outras sugestões para usar a criatividade. “Curtir em família é uma ótima opção. Aproveitar que o tema sustentabilidade está em alta, seria uma boa alternativa para engajar os pequenos nesta questão. Produzir instrumentos musicais a partir de materiais que iriam para o lixo, recolher folhas que caem das árvores e com a ajuda de um furador confeccionar confetes para a hora da diversão e ainda construir máscaras a partir de caixas de sapatos ou cereais são algumas sugestões ecologicamente corretas. As crianças participarão de toda a criação, passarão mais tempo com a família e ainda ajudarão ao meio ambiente”, conclui.

E aí? Como será o seu Carnaval?

*PRISCILA CORREIA é jornalista, especializada no segmento materno-infantil. Entusiasta do empreendedorismo materno e da parentalidade positiva, é criadora do Aventuras Maternas, com conteúdo sobre educação infantil, responsabilidade social, saúde na infância, entre outros temas. Instagram: @aventurasmaternas