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Guia definitivo: veja as respostas para as principais dúvidas na gravidez

Veja perguntas e respostas do que pode ou não ser feito durante os nove meses de gestação

*Priscila Correia, do Aventuras Maternas, colunista de AnaMaria Digital Publicado em 29/04/2022, às 08h00

Veja as principais dúvidas respondidas sobre o período da gestação. - Brian Trampo/Unsplash
Veja as principais dúvidas respondidas sobre o período da gestação. - Brian Trampo/Unsplash

Você já reparou como gravidez e dúvida parecem ser palavras sinônimas? Afinal, basta receber um Beta HCG positivo para questões, das mais simples às mais complexas, dominarem a mente das futuras mamães.

Pensando nos questionamentos mais comuns, ligados à beleza, bem-estar e saúde, a coluna de hoje traz um guia de perguntas e respostas para desvendar o que pode ou não ser feito durante os nove meses de gestação. Para ler, salvar e compartilhar com outras mães.

Pele: grávidas podem ter rotina da skincare sem restrições?

A ginecologista e obstetra Luciana Delamuta diz que gestantes podem ter uma rotina de skincare, mas devem estar atentas a alguns cuidados, pois não é permitido o uso de produtos que contenham ácido acetilsalicílico (AAS) e ureia, além de octocrileno. Assim, é importante ler a composição dos produtos antes de comprá-los. Os únicos permitidos na gestação são o ácido azelaico e ácido glicólico com concentração abaixo de 10%.

"Já os protetores solares devem ser usados por gestantes, pois além da proteção contra o câncer de pele, também auxiliam na prevenção do melasma. No entanto, só são permitidos os filtro solares físicos na gravidez. É importante conversar com sua dermatologista para pedir indicações de marcas e produtos liberados nesse período", diz a médica.

Cremes com vitamina C, que estão sendo cada vez mais utilizados no skincare das mulheres, também são permitidos. No entanto, atenção: não deve ser utilizado creme de semente de uva, pois pode provocar o fechamento do canal arterial do feto (estrutura importante para a circulação sanguínea do bebê intraútero). "Os peelings químicos e lasers também não podem ser realizados na gravidez”, ressalta.

De acordo com a dermatologista Morgana Volpato, titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), acontecem mudanças fisiológicas e hormonais na pele durante a gravidez, que podem levar ou agravar quadros de acnes, manchas na pele (hiperpigmentação), melasma, estrias e celulite. Nesse contexto, a rotina de skincare é indicada para gestante, levando-se em conta as adequações necessárias para se evitar riscos ao bebê.

Produtos que contenham em sua composição ácido salicílico ou retinóico (retinol) não devem fazer parte da rotina de skincare da gestante, assim como algumas substâncias químicas como “parabenos”, “ftalatos”, “tolueno”, “hidroquinona” e “formol”. "Nem todo ácido é contraindicado para a grávida, como o ácido azeláico que previne as manchas e atenua a acne, bem como o ácido glicólico, anti-envelhecimento que melhora a luminosidade e a renovação celular da pele”, explica.

Corpo: Quais procedimentos são liberados? E proibidos?

grávida na contraluz
Crédito: Toro Tseleng/Unsplash

“A drenagem linfática é permitida na gestação, e outras massagens, como a relaxante, shiatsu e reflexologia também", ressalta Luciana Delamuta. Já tratamentos com pedras quentes e mudanças de temperatura não são aconselháveis, pois podem fazer mal ao feto.

Vale lembrar ainda que procedimentos que envolvam produtos químicos não podem ser realizados, e as massagens devem ser realizadas com hidratantes que não contenham as substâncias não permitidas na gravidez, citadas acima. "Os óleos neutros, como óleo de amêndoas, são uma opção também”, diz a ginecologista e obstetra.

A massoterapeuta Flávia Simionato, da Singu, destaca que a drenagem linfática em gestantes não só é autorizada, como totalmente recomendada pelos médicos. Porém, para iniciar a drenagem antes do terceiro mês de gestação, é importante a autorização de seu obstetra.

"Massagens mais intensas e vigorosas não são permitidas durante a gestação, pois aumentam a circulação sanguínea e podem provocar um aumento da pressão arterial, como no caso da massagem modeladora”, explica.

Roseli Siqueira, cosmetóloga e esteticista, lembra ainda que não é indicado massagem forte ou que estimule a região da barriga. "Não recomendo nada que puxe a pele. Outra forma da mulher grávida se sentir mais "leve" é colocar as pernas para cima, para melhorar a circulação, e ela pode fazer isso inclusive em casa, mesmo sem cremes ou óleos. Mas sempre é bom lembrar: antes de qualquer procedimento, mulheres grávidas devem perguntar aos médicos se podem ou não fazer massagens, ainda que sejam apenas relaxantes.”

Exercícios físicos: podem ser feitos livremente?

Não só podem, como devem. É o que garante Ana Jannuzzi, médica especializada em pediatria e no universo materno infantil. “Não há qualquer exercício proibido na gestação. É importante avaliar os cuidados com as quedas e evitar exercícios com risco de impacto no abdome. O melhor exercício é o que a grávida consegue praticar com regularidade”, avalia.

Luciana Delamuta lembra ainda que eles ajudam a aliviar as dores que podem decorrer das mudanças de postura que acontecem nessa fase, auxiliam no controle do ganho de peso, controle da pressão arterial e prevenção de diabetes gestacional. Mas é importante sempre realizar atividades físicas acompanhada de um profissional e respeitar seus limites.

"Algumas gestantes podem ter contraindicações à realização de exercícios físicos, como as pacientes com risco de parto prematuro, alterações na localização da placenta, dentre outras questões. Antes de iniciar uma atividade física é sempre importante consultar seu médico obstetra para garantir que você está liberada. Alguns exemplos de exercícios permitidos na gestação são: caminhadas, natação, hidroginástica, musculação (sempre com assistência profissional), dança, yoga e pilates”, diz.

Alimentação: o que pode ou não pode ser consumido por grávidas? O que deve ser consumido com moderação e o que é terminantemente proibido?

O nutrólogo Gustavo Feil explica que o aporte nutricional da mulher sobrecarrega e torna-se imprescindível, para uma ótima gestação, bem como uma excelente formação fetal, ter uma alimentação rica em nutrientes e bem balanceada. Visto que, neste momento, a mulher sofre naturalmente uma baixa em seu sistema imunológico e para se manter segura contra agentes externos invasores, deve-se ter uma alimentação saudável.

Alimentos do grupo dos cereais, como o arroz, o milho e os tubérculos, como a batata e mandioca, ricos em fibras e vitaminas, devem ser incluídos na alimentação. Já o famoso feijão com arroz deve ser mantido, pois juntos formam um alimento altamente nutritivo, contendo proteínas, cálcio, magnésio, vitaminas do complexo B, fibras e carboidratos, que, além de nutrir, geram uma sensação de saciedade.

"Os vegetais de cor verde-escuros são uma excelente escolha, pois são ricos em ácido fólico, cálcio e ferro, nutrientes essenciais para a formação dos ossos e do cérebro do bebê, além de prevenir doenças congênitas – como exemplo temos o brócolis, a couve-manteiga (rica em vitamina C), o espinafre e o agrião que, juntamente com as frutas e legumes, contribuem para uma alimentação saudável e nutritiva", diz Gustavo.

Já as proteínas devem fazer parte da alimentação, pois auxiliam muito no crescimento do feto, da placenta e dos tecidos maternos. Segundo ele, o ideal é consumir proteínas de fonte animal e, de preferência, as carnes magras. Importante salientar, também, que nesse período é recomendado a não ingestão de carnes e peixes crus, pois esses alimentos podem contem bactérias prejudiciais a gestação, além da possibilidade de conter a toxoplasmose, parasita que pode gerar inúmeros problemas ao feto.

Já os alimentos que devem ser evitados, além das carnes e peixes crus, são os que contém excesso de gorduras e sódio, como os embutidos (aqui entram salsichas, linguiças, presuntos, mortadela, queijos amarelos e a maioria dos alimentos industrializados, pois podem potencializar o aparecimento da pressão alta e outras complicações na gestação).

"Bebidas alcoólicas também devem ser evitadas, pois o seu uso pode gerar problemas cardíacos, retardo no crescimento e má formação no feto. Resumindo: quanto mais diversificado e colorido o seu prato, melhor! E lembre-se: carnes e peixes, sempre, muito bem assados, cozidos ou fritos; ovos bem cozidos; e frutas e verduras sempre bem lavadas e sem cascas”, diz.

Andrea Pereira, médica nutróloga do hospital Israelita Albert Einstein e cofundadora da ONG Obesidade Brasil, lembra também que a grávida deve alimentar-se de forma saudável e equilibrada: frutas e hortaliças, produtos integrais, pouco açúcar e sal, minimizar ao máximo alimentos processados e ultraprocessados, e alimentos gordurosos.

"É importante lembrar, também, que há um aumento crescente das gestantes pós-cirurgia bariátrica, uma vez que o Brasil é o segundo país do mundo nessa cirurgia. Essas pacientes quando não fazem um acompanhamento nutricional adequado, tendem a ter deficiências nutricionais, entre elas a de ferro, vitamina D e de vitaminas do complexo B, portanto merecem um acompanhamento cuidadoso”, diz.

Meditação: quais os benefícios? Alguma restrição? Pode usar óleos essenciais, por exemplo? Se sim, algum benefício extra para mulheres grávidas?

mulher fazendo meditação
Crédito: Jared Rice/Unsplash


Roberto Debski, clínico geral, psicólogo e especialista em medicina integrativa, explica que a meditação é muito benéfica em todas fases da vida, inclusive na gravidez, ajudando a mulher a lidar com suas emoções, reduzir o estresse e a ansiedade que ocorrem normalmente com as expectativas da gestação, do parto e da maternidade. Apesar disso, deve-se observar o tipo de meditação, evitando posturas às quais não esteja acostumada, e respeitar o limite pessoal quanto ao tempo, e conforto durante a prática.

Já o uso de óleos essenciais ajuda no relaxamento e bem-estar da gestante, estimulando o olfato e a pele e potencializando o efeito das práticas de relaxamento e autoconhecimento. "Contudo, deve-se evitar aromas muito intensos, e, obviamente, aqueles dos quais se tenha suspeita ou conhecimento de já ter causado reações alérgicas na gestante”, avalia.

Cabelos: algumas mulheres têm o habito de colorir ou fazer outros procedimentos químicos no cabelo. Podem continuar enquanto grávidas ou não?

A dermatologista Morgana Volpato, titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda que é melhor ter cuidado, evitando colorir ou realizar outros procedimentos que envolvam produtos químicos nos três primeiros meses de gestação. "Depois disso é permitido e deve-se evitar o contato com o couro cabeludo”, ressalta.

Depilação: existe alguma contraindicação?

Em relação a este assunto, a médica conta que não existem contraindicações para depilação com lâminas ou com cera quente durante a gravidez. Cremes depilatórios, porém, não são indicados durante toda a gestação, bem como a depilação a laser.

Já Ana Jannuzzi ressalta que alguns obstetras não liberam a depilação a laser na gestação, enquanto outros autorizam. "A depilação com cera pode ser feita, embora algumas mulheres relatem maior sensibilidade na gravidez. O uso de gilete também pode ser feito, e é importante lembrar que algumas mulheres tem maior tendência a desenvolverem foliculite na gravidez”, explica.

Medicações: mulheres que fazem uso de remédios para dormir ou tratamentos psiquiátricos podem continuar tomando os remédios?

remédios
Crédito: Roberto Sorin/Unsplash

Roberto Debski explica que o uso de remédios controlados ou psiquiátricos, assim como o uso de medicamentos em geral, deve ser reavaliado assim que se tiver conhecimento da gestação. Isso porque muitos medicamentos não podem ser utilizados na gestação, especialmente no primeiro trimestre. "O médico obstetra deve ser informado a respeito do uso desses remédios para orientar a gestante quanto à conduta e utilização deles nas diversas fases da gestação”, avalia.

Já Luciana Delamuta lembra que existem medicações psiquiátricas que são seguras e liberadas na gravidez. Algumas condições psiquiátricas podem melhorar durante a gestação, outras podem piorar ou permanecer estáveis. "É muito importante manter o acompanhamento regular com o médico psiquiatra e, idealmente, ele e o obstetra da paciente devem tomar decisões em conjunto quanto ao uso, suspensão ou troca de medicações, levando sempre em conta o risco-benefício e as condições maternas e fetais”, diz.

Medicações: remédios pra dor, como analgésicos e antiinflamatórios, podem ser tomados por grávidas? Em caso contrário, como proceder se tiverem alguma dor?

Ela ainda conta que algumas medicações para dor estão liberadas na gravidez, como tylenol e buscopam. Já os antiinflamatórios, no geral, são contraindicados. "A dipirona pode ser indicada em algumas situações específicas e a depender do período da gravidez, mas não se recomenda seu uso de rotina”, conta.

Alimentação: para mulheres veganas e vegetarianas, alguma mudança importante na alimentação durante a gravidez?

Gustavo Feil ressalta que mulheres veganas e vegetarianas têm que cuidar muito da alimentação, pois o aporte proteico animal é essencial para a formação da placenta, bem como do feto. Portanto, fazer uma suplementação de vitaminas e sais minerais torna-se essencial nesse caso. Se o ferro já é importante na alimentação diária de qualquer um, no caso das grávidas ele é simplesmente essencial.

"Entre as melhores fontes desse mineral, temos leguminosas e os vegetais verde-escuros - os alimentos mais ricos em ferro são do reino vegetal. É importante destacar que a vitamina C ajuda na absorção desse mineral pelo organismo, e por isso indico acrescentar frutas cítricas nas refeições. Um ótimo exemplo é comer feijão com laranja. Amêndoas, sementes de abóbora, girassol, linhaça e chia são outras opções que possuem boas quantidades de ferro", ensina.

Agora, você pode estar pensando: "E como uma mãe pode trocar a proteína da carne?". Bem, existem diversos outros alimentos que são muito proteicos, e, por isso, basta substituí-los em quantidades adequadas. Ela está presente, por exemplo, em cereais, como o arroz, aveia e trigo, em leguminosas, como o feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico e soja, e em frutas oleaginosas, como castanhas, nozes e avelãs. "De uma forma geral, é possível encontrar todos os nutrientes necessários para o nosso bem-estar na alimentação, mas, em alguns casos específicos, eles não estão presentes no reino vegetal. E é aí que entram os suplementos, que podem se mostrar essenciais durante uma gestação, especialmente se mãe for vegana”, diz.

Andrea Pereira aponta ainda que, na gravidez, há uma tendência à deficiência de ferro, devido ao alto consumo desse nutriente na formação do bebê. No caso das mulheres que não consomem carne vermelha, que apresenta um ferro de maior absorção, é necessário aumentar o consumo de alimentos vegetais que contenham ferro e na maioria das vezes suplementar ferro na forma de cápsulas e comprimidos.

"Essa adequação do consumo de ferro na gravidez deve ser realizada também em mulheres em idade fértil, uma vez que a menstruação aumenta a perda de ferro. Um outro aspecto importante é o consumo de proteínas nas grávidas veganas e vegetarianas, uma vez que na proteína de origem animal existe mais concentração proteica do que nas proteínas vegetais, por exemplo, em 100g de bife de carne vermelha temos 33g de proteína, enquanto que na mesma quantidade de feijão temos 8g”, diz.

Debski avalia ainda que a alimentação vegetariana e vegana na atualidade, sendo bem orientada por um profissional médico ou nutricionista que tenha conhecimento nessa área, contempla todos os nutrientes que são essenciais e necessários durante a gestação. Apesar dos diversos tabus e mitos, trata-se de uma alimentação muito saudável e completa. "O único cuidado que se deve ter é com a avaliação da vitamina B12, que algumas vezes pode ser baixa nos vegetarianos que não tiverem uma orientação nutricional adequada”, diz.

Vacinas: quais vacinas podem ser tomadas e quais não por mulheres grávidas?

As vacinas liberadas durante a gestação são a da hepatite B, a tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche), a vacina contra influenza e, mais recentemente incluída no calendário vacinal da gestante, a vacina contra o novo coronavírus (COVID-19).

"Para as mulheres que estão planejando uma gravidez, é importante atualizar seu calendário vacinal antes de iniciar as tentativas, pois a maioria das vacinas não é permitida durante a gravidez”, diz a ginecologista e obstetra Luciana Delamuta.

Viagens: mulheres grávidas podem viajar de avião sem restrições?

Ana Jannuzzi conta que elas pode, sim: "Só é preciso avaliar com a companhia aérea, cada uma tem uma idade limite para aceitar gestantes no voo. Viagem é assim mesmo: sem padrão, pode viajar quando precisar. O risco é a criança nascer no destino. Algumas empresas recomendam até 30 semanas.”

Saúde Bucal: quais os impactos de não manter os cuidados com a saúde bucal na gravidez?

Gustavo Feil conta que existem estudos mostrando que mulheres grávidas com problemas bucais têm maior chance de desenvolver partos prematuros e também relacionados a recém-nascidos com peso abaixo do normal. "Sabe-se que nesse momento da vida da mulher ela se torna mais suscetível a desenvolver gengivites e cáries pelo fato de que ocorre uma redução no fluxo da saliva, devido às alterações hormonais, que tem ação protetora, e também com o aumento da alimentação, que aumenta a acidez na boca e predispõem a cáries", conta.

Os estudos revelam ainda que um grande número de mulheres tem gengivite durante a gravidez, com acúmulo de placa bacteriana que se deposita nos dentes irritando a gengiva. "Mantendo seus dentes sempre limpos, especialmente na região do colo dentário, área em que a gengiva e os dentes se encontram, você pode reduzir significativamente ou até evitar a gengivite durante a gravidez. E, além disso, pode ajudar ainda mais a saúde de seus dentes, substituindo os doces por alimentos integrais, tais como queijo, verduras e frutas frescas. Uma orientação é evitar doces e priorizar alimentos integrais, verduras e frutas”, diz.

Saúde Mental: como preparar a mente para o nascimento do bebê?

Ana Jannuzzi diz que estudar é o primeiro passo, para entender o que virá dali para frente, como quais são as expectativas e os desafios que chegarão. "Se organizar para ter rede de apoio e comida pronta nos primeiros meses (pode ser congelado as refeições ainda na gravidez) é fundamental para passar pelo puerpério tranquila. Buscar ajuda se se sentir muito angustiada com a transição”, diz.

Já Roberto Debski ressalta ser fundamental que a mãe e o pai tenham claro para si o que implica a gravidez, o nascimento e a criação de um filho, antes de decidirem engravidar. "Os filhos devem vir para a família para serem cuidados, orientados, amados e encaminhados para a vida adulta como seres independentes e maduros que cumprirão sua missão e propósito de vida", reflete.

Filhos não existem para serem projetos dos pais ou da família, nem para realizar algo que os pais quiseram e não conseguiram, nem para objetivos próprios dos pais, como para sustentá-los na velhice ou realizar suas vontades e caprichos. "Essa é uma noção básica, porém nem sempre observada. Sendo assim, é importante que os pais sejam maduros, altruístas e amorosos com seus filhos, para realizarem a missão da parentalidade com responsabilidade e consciência, ajudando os filhos a irem para suas vidas sem expectativas próprias", diz o médico.

Quando os pais precisam de ajuda, devem buscá-la em outras pessoas, ou profissionais, que possam ajudá-los a resolver essas questões. "Quando for inevitável cuidar dos pais, que os filhos o façam como filhos que ajudam seus pais, não como pais deles, evitando infantilizá-los e estimulando-os para que mantenham o máximo possível sua responsabilidade e autocuidado, evitando a relação de dependência / co-dependência com seus pais. O ideal é que envelheçamos bem, saudavelmente, com independência emocional e financeira, deixando nossos filhos livres para viverem suas vidas e cuidarem de sua própria família, filhos e de seu próprio destino”, diz.

Em tempo: os óleos essenciais oferecem inúmeros benefícios na gestação, viu!

Só é preciso se atentar às possíveis restrições de uso. A prática, que é recomendada a partir do terceiro mês de gestação e com o acompanhamento de um médico obstetra, é segura e oferece diferentes benefícios para a saúde da mãe, como sensação de bem-estar e relaxamento e diminuição das dores, dos enjoos e do estresse. Segundo Carla Dantas, especialista em aromaterapia da Phytoterápica, ainda que os óleos essenciais possam ser utilizados através de massagens, quando devem ser misturados junto aos óleos vegetais, o modo de uso mais seguro é a inalação, que já se mostrou suficiente para promover efeitos significativos.

“Quando inaladas, as moléculas da substância entram em contato com Sistema Nervoso Central e estimulam a parte do cérebro que está conectada à memória e ao humor, oferecendo a sensação de bem-estar”, explica. Para realizar a aromaterapia por meio da inalação, é recomendado que se pingue uma ou duas gotas num lenço ou no travesseiro ou que o óleo seja aplicado num difusor ou colar aromático. Carla pontua, ainda, sobre os óleos essenciais mais utilizados na gestação, como os de lavanda, hortelã pimenta, alecrim, limão e laranja doce.

“Por se tratar de substâncias naturais, cada óleo é extraído de uma espécie botânica e possui características e compostos quimicamente definidos. Portanto, é necessário que seja feita uma pesquisa sobre as composições e que a utilização ocorra de acordo com os resultados desejados. A lavanda oferece relaxamento e diminui estresse, tensão e dores de cabeça; a bergamota ajuda a dormir, combatendo insônia e distúrbios do sono; o de laranja doce é indicado para náuseas e enjoos; já o de hortelã pimenta combate as dores e pode ser usado para evitar vômitos; o olíbano é indicado para gestantes ansiosas e controla crises de ansiedade e o medo do momento do parto; e o eucalipto (Eucalyptus glubulus) serve para aumentar a sensação de bem-estar e sentimentos positivos em relação ao parto. Mas um alerta importante: a aromaterapia requer atenção para possíveis contraindicações, principalmente na presença de problemas de saúde como hipertensão, asma ou gestação de risco. “É recomendado que a utilização seja feita sempre com orientação e acompanhamento de um médico ou profissional especializado”, conclui.

*PRISCILA CORREIA é jornalista, especializada no segmento materno-infantil. Entusiasta do empreendedorismo materno e da parentalidade positiva, é criadora do Aventuras Maternas, com conteúdo sobre educação infantil, responsabilidade social, saúde na infância, entre outros temas. Instagram:@aventurasmaternas