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Pedro Bial escreve crônica emocionante sobre Marília Mendonça: ‘‘Compondo pros anjos’’

Talento incomparável e legado de Marília Mendonça viraram poesia na voz de Pedro Bial

Da Redação Publicado em 08/11/2021, às 08h53 - Atualizado às 08h54

Cantora faleceu em um acidente de avião na última sexta-feira (5) - TV Globo
Cantora faleceu em um acidente de avião na última sexta-feira (5) - TV Globo

Pedro Bial fez uma aparição no ‘Fantástico’ do último domingo (7) para prestar uma homenagem à cantora Marília Mendonça. O apresentador emocionou o público ao poetizar sobre a partida da artista, aos 26 anos de idade, em um acidente de avião. O discurso foi feito através de uma crônica escrita e narrada por ele mesmo. 

“Hoje, a gente olha pro céu e clama, ‘pra que tanta pressa?’; e reclama, cambaleante, sem o chão de tua voz. Marília, por que tanta pressa? Por que tão rápido? Você ainda tinha tanta história pra viver e ouvir e depois em versos nos contar, tanto canto a doar. Por que tão rápido, pra que a pressa?”, começou Bial. 

O apresentador fez menção ao dom de Marília para compor. “Que versos você escreveria pra explicar isso? Como termina essa canção, interrompida pelo estrondo de silêncio? Que música é essa em descompasso e desafino, onde dó é só padecimento?”. 

Na crônica, o comandante de ‘Conversa com Bial’ destacou que toda canção tem começo, meio e fim, mas que a canção da vida de Marília Mendonça foi interrompida antes de encontrar o meio, na última sexta-feira (5). “É tão anti-natural, chegar ao fim, sem nem acabar de começar. Arrancaram a flor, ficou seu sonoro perfume a consolar um jardim entristecido”, comparou. 

Em seguida, Bial escreveu: “Pois, agora, você que falava das coisas fugidias da vida, essas coisas de amores e dores, encontros e adeuses, você que libertava as palavras, deixando que voassem passarinhas pra nos consolar e pra que a gente as acolhesse no ninho de nossas solidões; agora, Marília, seus versos se aquietaram, imóveis, como mão de mãe, suave, sobre cabeça de menino, pousados sobre nossa memória”.

O texto chegou ao fim como uma reflexão sobre a eternidade. “Hoje, a gente lhe pergunta: ‘Nunca mais, Marília?’. E, com um sorriso mais manso do que triste, você nos responde que não, não é ‘nunca mais’. Dedilha o violão, compondo uma canção pros anjos, e diz, ‘É para sempre’”.