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Nelson Piquet deve responder a denúncias de racismo e homofobia

O ex-piloto pode ter que indenizar quatro entidades por danos morais coletivos

Da Redação Publicado em 13/07/2022, às 12h41

Nelson Piquet teve falas racistas e homofóbicas em entrevista com o jornalista Ricardo Oliveira - Instagram/@nelsonpiquetracing
Nelson Piquet teve falas racistas e homofóbicas em entrevista com o jornalista Ricardo Oliveira - Instagram/@nelsonpiquetracing

A Justiça do Distrito Federal acatou a ação civil pública contra Nelson Piquetpelas falas racistas e homofóbicas contra o piloto inglês Lewis Hamilton.

Quatro entidades pediram indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. O juiz responsável pelo caso, Felipe Costa da Fonseca Gomes, estabeleceu um prazo de 15 dias para que o ex-piloto conteste a ação movida contra ele.

"As circunstâncias da causa revelam ser improvável um acordo nesta fase embrionária", comentou o magistrado, que não pediu conciliação entre as partes.

O advogado Marlon Reis disse que, além de ofender ao heptacampeão de Fórmula 1, Piquet também feriu toda a coletividade e os valores de inclusão e diversidade.

O trecho da entrevista do ex-piloto brasileiro com o jornalista Ricardo Oliveira que viralizou mostrava Piquet tendo uma fala racista. No entanto, outro trecho que foi à público mostrou que o veterano também fez comentários homofóbicos sobre Lewis Hamilton.

Na ocasião, ele falava sobre a vitória do sueco Nico Rosberg na temporada de F-1 de 2016, que interrompeu a sequência de vitórias do piloto britânico.

"O neguinho devia estar dando mais o c* naquela época, aí tava meio ruim", disse referindo-se ao britânico como “neguinho”.

Para Marlon Reis, que representa a Aliança Nacional LGBTI+, Abrafh, Educafro e o Centro Santo, o piloto ofendido teve uma boa postura diante dos ataques: "A resposta de Hamilton foi elegante e precisa, um chamado para a ação contra todos os tipos de discriminação".

O Diretor Presidente da Aliança Nacional LGBTI+, Toni Reis, afirmou ser necessário lutar contra todo tipo de preconceito: "Temos que enfrentar todas as formas de discriminação com base na interseccionalidade das pessoas. Juntos venceremos contra a LGBTIfobia, o racismo e outras formas de discriminação."

RELEMBRE O CASO

Heptacampeão da Fórmula 1, Lewis Hamilton se pronunciou em português pela primeira vez nas redes sociais após o ex-piloto brasileiro, Nelson Piquet, usar a expressão “neguinho” em uma entrevista enquanto falava sobre a batida do britânico com Max Verstappen, o atual campeão da última edição do GP da Inglaterra. 

“O neguinho [Lewis Hamilton] meteu o carro e não deixou [desviar]. O Senna não fez isso. O Senna saiu reto. O neguinho meteu o carro e não deixou [Verstappen desviar]”, disse Piquet.

“Vamos focar em mudar a mentalidade”, escreveu Hamilton no Twitter, logo após de retweetar uma mensagem de um seguidor dizendo: “E se Lewis Hamilton apenas tweetar: 'Quem diabos é Nelson Piquet' e então fechar o Twitter”.

Após sua vitória, Lewis também recebeu diversos ataques racistas de perfis na internet. Uma organização sem fins lucrativos ajudou a denunciar e banir mais de 30 contas na web por abusos raciais contra Hamilton.

O piloto, então, usou sua rede social para pedir e reforçar mudanças dentro do esporte. “É mais do que um termo. Essas mentalidades arcaicas precisam mudar e não têm lugar no nosso esporte. Fui cercado por essas atitudes e alvo da minha vida toda. Houve muito tempo para aprender. Chegou a hora da ação”, tweetou ele.

Há pelo menos quatro anos, o heptacampeão está à frente do combate contra o racismo dentro da F1. O campeão é criador da instituição Mission 44, em parceria com a Academia Real de Engenharia Britânica, que incentiva e facilita pessoas negras a participarem do esporte automobilístico.