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Acerte na escolha do seu cirurgião plástico

Interessada em realizar uma intervenção estética? Ensinamos o caminho para você não cair na lábia de um Dr. Bumbum por aí e colocar sua vida em risco

Júlia Arbex Publicado em 05/09/2018, às 09h38 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h46

Acerte na escolha do seu cirurgião plástico - iStock
Acerte na escolha do seu cirurgião plástico - iStock

Há pouco tempo, Lilian Calixto, 46 anos, se submeteu a um procedimento estético com o médico Denis Furtado, o Dr. Bumbum. Por problemas causados pela plástica nos glúteos, ela morreu horas depois. A operação foi realizada em local inadequado, na casa de Furtado, no Rio de Janeiro, mesmo com o registro do médico cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal. O caso de Lilian jogou luz sobre a necessidade de buscar especialistas qualificados antes de se submeter a uma cirurgia. Nós ensinamos você a fazer essa busca.

A formação do especialista
“A pessoa habilitada a realizar uma cirurgia plástica precisa ter formação em medicina, com residência em cirurgia geral e cirurgia
plástica. Para isso, são necessários, no mínimo, 11 anos de formação. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) promove, anualmente, uma avaliação após o término da residência. Quem é aprovado passa a compor o quadro de médico especialista associado à SBCP. O Conselho Regional de Medicina (CRM) também solicita um registro de especialidade. Portanto,os pacientes devem se certificar se o médico tem CRM, RQE (qualificação de especialista) e inscrição na SBCP”, explica a cirurgiã plástica Tatiana Moura.

Local indicado para a cirurgia
“O atendimento pode até acontecer em um consultório ou clínica. Porém, os procedimentos cirúrgicos devem ser sempre realizados em ambiente hospitalar. No dia da operação é necessário que haja uma infraestrutura adequada para o procedimento, além de uma retaguarda segura o suficiente para amparar o paciente que passar por alguma possível complicação, como uma Unidade de Terapia
Intensiva (UTI)”, afirma Felipe Shigueo Passos Tozaki, cirurgião plástico e especialista em cirurgia plástica pelo Conselho Federal de Medicina.

Contraindicação
“A cirurgia plástica tem algumas contraposições e, justamente por isso, se faz necessário considerar todas as questões  minuciosamente. Pacientes com doenças crônicas, como hipertensão e cardiopatias que estão descontroladas, não devem optar pelo procedimento. A segurança deve vir em primeiro lugar e, nos casos citados, há mais riscos do que benefícios. Portanto, o profissional deve sempre solicitar exames pré-operatórios e avaliação cardíaca e/ou outras especialidades em caso de doenças prévias”, diz Tozaki.

Os riscos
Segundo os especialistas entrevistados para essa matéria, os perigos de uma cirurgia plástica são os mesmos de qualquer outra operação. No entanto, o procedimento estético é seguro quando realizado em ambiente hospitalar e por bons profissionais.

Outras dicas valiosas

Informação

Evite escolher o médico ao acaso. Converse com outras pessoas que você conhece e fizeram uma cirurgia semelhante à sua. Além disso, pergunte quais eram suas expectativas, como ficaram as cicatrizes e, claro, o resultado final. As orientações dadas na internet são, muitas vezes, incompletas e tendenciosas. Outra dica: converse com médicos de outras especialidades para indicar um cirurgião.

Consulte mais de um médico

Procure e peça orientação a vários profissionais antes de decidir o que fazer, pois cada cirurgião tem uma conduta diferente. Além  disso, você deve realizar o procedimento com alguém que a deixe confortável. Isso inclui ser atencioso na consulta pré-operatória, ter esclarecido todas as suas dúvidas e que tenha sido bastante realista em relação aos possíveis riscos, expectativas e, também, resultados.

Conheça o lugar

O paciente também deve observar os hospitais onde o cirurgião opera. Os médicos não confiáveis não conseguem trabalhar em hospitais tradicionais e, por isso, operam em locais clandestinos. Quer uma clínica? Procure a Vigilância Sanitária para verificar se o local está habilitado. Por lei, os estabelecimentos precisam deixar a licença de funcionamento em lugar visível.