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O que vimos em oito anos do trauma do 7x1

O 7x1 foi um presságio do que estaria por vir, mas em 2022 tem mais

Letícia Cassiano, com supervisão de Vivian Ortiz Publicado em 08/07/2022, às 16h51

Senhor que representou a dor do brasileiro durante o 7x1 - Foto: Reprodução
Senhor que representou a dor do brasileiro durante o 7x1 - Foto: Reprodução

Completa-se nesta sexta-feira, 8 de Julho de 2022, exatos oito anos que o país do futebol passou por um dos seus piores traumas na história do esporte nacional. Sim, já faz oito anos que uma nação inteira ouvia estarrecida Galvão Bueno narrando “goooool da Alemanha” por inacreditáveis sete vezes. 

É difícil encontrar um brasileiro, fanático por futebol ou não, que não se lembre o que estava fazendo enquanto um time de camisetas pretas humilhava nossa seleção em pleno território nacional. Diante dos olhos de 58.141 torcedores no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG), que assistiram em primeira mão a derrota mais humilhante e impensável que o brasileiro com a cabeça de 2014 poderia imaginar. 

Dois anos depois, o então zagueiro Dante, um dos protagonistas desta verdadeira tragédia brasileira, narrou a visão de cima do palco para a ESPN: "Faltou uma clareza na cabeça de todos os jogadores. De ler a situação, saber o que estava acontecendo. Depois do primeiro gol, a gente tentou; depois do segundo gol, desandou.”

E ele continuou: “Passou um filme na cabeça de todos, 'nós não podemos perder essa Copa', 'vamos que vamos', 'a gente é Brasil'... e aquilo se tornou contra a gente”. Curiosamente, sua frase soou idêntica a análises atuais do que aconteceu nos últimos 8 anos da história do Brasil.

COPA E ELEIÇÃO

A verdade é que todo ano de Copa é turbulento: quando, de quatro em quatro anos, o orgulho nacional cabe nas pontas dos pés de 12 jogadores enquanto todo o resto do Brasil vai às urnas decidir a cara do país até a Copa seguinte.

De lá pra cá, tão estarrecidos como quando viu a lavada do 7x1, o povo brasileiro tomou as ruas, assistiu um impeachment duvidoso, duas barragens estouradas, a ascensão de uma figura desconhecida e polêmica ao Planalto, incontáveis desastres naturais e provocados por ação humana, um novo vírus, dois anos de pandemia e lockdown, gasolina a mais de R$8,00 o litro, o país voltar ao mapa da fome e tantos outros traumas ainda piores do que aquela goleada.

ANDAR COM FÉ EU VOU…

Foram oito anos difíceis para os filhos da “Pátria amada”. Mas, para ninguém sair desse texto sem fé na humanidade, coisas incríveis também aconteceram no Brasil e devem servir de inspiração para enfrentar o semestre caótico que está por vir, ainda torcendo pela seleção com orgulho em novembro.

Nos últimos oito anos, um adolescente doou um bilhete premiado para um garotinho doente, pescadores salvaram espécies de peixes da lama de Vale, voluntários se mobilizaram para afastar a solidão de internados com covid-19, duas pesquisadoras brasileiras decodificaram o genoma do vírus, um casal adotou dois irmãos com paralisia cerebral, um homem transformou pneus velhos em caminhas para bichinhos de rua, Rebecca Andrade conquistou duas medalhas e uma fadinha mostrou que as brasileiras dominam o skate.

Quando eu nasci, em 19 de dezembro de 2002, o Brasil estava em festa pelo penta e ainda incerto sobre um novo presidente. Espero que este ano, quando completar 20 anos um dia depois da final da copa, o país esteja festejando orgulhoso novamente.