AnaMaria

Óleo de coco: mocinho ou vilão?

Classe médica se divide em relação aos benefícios do produto, mas concordam que é preciso consumi-lo com moderação

Izabel Duva Rapoport Publicado em 17/08/2017, às 16h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Óleo de coco: mocinho ou vilão? - Shutterstock
Óleo de coco: mocinho ou vilão? - Shutterstock
Indicado para acelerar a queima de gordura, aumentar a imunidade, reduzir o colesterol e até hidratar a pele e o cabelo, o festejado óleo de coco caiu em desgraça. Para algumas entidades médicas, não existem comprovações científicas capazes de garantir os tais benefícios atribuídos ao produto. Já os defensores do item que faz sucesso, da culinária aos tratamentos estéticos, saem em seu socorro. AnaMaria ouviu os dois lados e tirou as principais dúvidas que envolvem as vantagens – ou não – da utilização do óleo de coco.

Quem recomenda
Para a nutricionista Graziela Magistralli Carrao, a gordura saturada do óleo de coco é de boa qualidade por ser rica em ácido láurico e graxos de cadeia média. “O primeiro é excelente para o sistema imunológico. Os outros, metabolizados no fígado, são convertidos em energia e não armazenados como gordura, podendo contribuir para a perda de peso quando associados a uma alimentação saudável e malhação”, diz. Os óleos vegetais como os de soja, girassol e canola são compostos de gorduras
insaturadas (consideradas boas), mas informa: a alta temperatura as torna saturadas. “Recomendo o óleo de coco em preparações
de pratos quentes. Nesses casos, é garantida a gordura saturada de melhor qualidade”, afirma.

Quem não recomenda
Para a Associação Brasileira de Nutrologia, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, não há evidência científica que comprove os benefícios à saúde do produto. E alertam: pode ser prejudicial se usado em excesso. O motivo? “Estudos apontam para um aumento de colesterol bom
(HDL) e ruim (LDL), relacionado ao risco de infarto e derrame. Porém, não há pesquisas que relacionem os consumidores
a uma prevalência maior da doença”, diz Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, que não recomenda o uso.

Todos concordam!
Os especialistas são unânimes em um ponto: fuja das soluções mágicas! “Hoje, muita gente procura algo milagroso para perder peso e ter vida saudável. Quando uma pesquisa diz que um alimento pode ser benéfico à saúde, surge o consumo exagerado: há quem tome o óleo de colherada! E exageros não são bons nunca”, alerta Graziela.

Principais dúvidas (e respostas!) sobre o produto

Que quantidade posso consumir?
O consumo de gorduras saturadas não deve ultrapassar 10% das calorias totais ingeridas no dia. “Há gordura saturada em muitos
alimentos e essa recomendação é uma somatória”, ressalta Graziela.

É muito calórico?
Sim! O óleo possui 9 kcal a cada grama. “Cem gramas do óleo oferecem 900 kcal”, diz Alan Tiago Scaglione, nutricionista da Estima Nutrição. Ou seja, pode engordar se o consumo for alto e a pessoa não tiver uma rotina saudável.

Como usar na cozinha?
Substitua os óleos de soja, canola ou milho pelo de coco, inclusive no preparo de bolos ou receitas doces, pelo leve sabor adocicado. “Se não usa óleo nas preparações, não inclua o óleo de coco. Ele é uma ótima opção para substituir, não para agregar”, reforça Alan.

Sólido ou líquido?
É comum o ingrediente mudar de estado físico, pois sofre alterações de consistência conforme o calor. Porém, pode ser usado nas duas formas.

Qualquer um pode ingerir?
Pessoas com altas taxas de gordura no sangue, devem atentar para o uso. 

Precisa ser extravirgem?
A vitamina E, encontrada em produtos dessa versão, se oxida facilmente e beneficia o organismo, melhorando a pele, a saúde muscular e óssea, e o sistema imunológico.

O óleo de coco hidrata a pele e o cabelo?
Para o dermatologista Claudio Wulkan, como todos os outros óleos, ele hidrata. “Porém, as versões específicas para essa função são mais agradáveis ao toque e ao cheiro”, considera.

Pode gerar oleosidade excessiva na pele?
Sim. Peles oleosas não devem ser tratadas com substâncias oleosas, para não piorar as lesões. 

Posso usar em áreas mais ressecadas, como cotovelos?
Se a rachadura não for problema vascular, diabetes descontrolada ou micose, sim. “O produto é anti-inflamatório, antibacteriano
e antifúngico”, afirma a dermatologista Larissa Viana.

Saiba mais sobre o poder medicinal do coco aqui

Os links externos fazem parte do Programa de Afiliados da Amazon, em parceria com a Revista AnaMaria.