Não é brincadeira: o nome é gordofobia!

O preconceito e a intolerância contra pessoas gordas ainda se camuflam como piada nas rodas de amigos, mas precisam ser debatidos porque causam marcas psicológicas profundas

Ana Bardella

O preconceito pode levar a marcas psicológicas profundas | <i>Crédito: Shutterstock
O preconceito pode levar a marcas psicológicas profundas | Crédito: Shutterstock

Sabe aquele conhecido que você não vê há anos? Se encontrar com ele por acaso hoje e notar que seu peso mudou consideravelmente, isso vai te deixar incomodada a ponto de comentar mais tarde sobre o assunto na mesa do jantar? Já parou para pensar por que o comentário “Fulano engordou tanto nos últimos tempos...” é para muitos de nós mais relevante do que “ele conseguiu o emprego que tanto queria” ou “ele estava tão sorridente e feliz”? De acordo com a psicóloga Livia Marques, nossa sociedade é muito ligada à estética, mais especificamente um padrão estético que prega: para ser bonito é preciso ser magro. Graças a essa cultura, a intolerância contra pessoas gordas cresce e se camufla em torno de piadas e brincadeiras, algo que pode magoar e trazer consequências negativas para quem vive a situação. 

Onde a gordofobia se esconde

“É difícil encontrar alguém que assuma que sente aversão por pessoas gordas. Geralmente, esse preconceito aparece por meio de comentários do cotidiano”, explica a psicóloga. Por exemplo: dizer que alguém “é bonita de rosto” é um desrespeito com a outra pessoa. Afinal, o que deveria ser um elogio está, na verdade, deixando subentendido que o corpo da pessoa não é tão bonito assim... E por que ela não poderia admirar a si mesma? Outra expressão comum é soltar, ao comer um alimento gorduroso, que “está fazendo gordice”. Isso apenas reforça a ideia de que pessoas gordas se alimentam mal e são pouco saudáveis – quando, na verdade, cada organismo é um organismo: uma pessoa considerada gorda pode se alimentar bem melhor do que outra, que é magra. Além disso, cada um é livre para fazer suas próprias escolhas! Para finalizar, Livia dá outro exemplo: dizer para alguém que conhece uma dieta que pode ajudar a emagrecer sem que a pessoa tenha expressado interesse em perder peso. Além de indelicada, a fala sugere que há algo de errado e que precisa ser corrigido. Tudo isso magoa!

Consequências psicológicas

O que para alguns podem parecer simples comentários, na verdade contribuem para reforçar a ideia de que somente as pessoas magras são bonitas e podem se sentir bem com seu próprio corpo. Nas redes sociais, inclusive, há diversos perfis que alimentam esse pensamento sob o pretexto de incentivar um estilo de vida saudável. Mas o assunto é coisa séria: “Graças a essa rejeição, transtornos como bulimia, anorexia e compulsão alimentar podem ser desenvolvidos”, diz a profissional. Outros problemas, como crises de ansiedade, pânico e até depressão podem ser iniciados. Tudo depende da educação emocional de cada um: se a pessoa que receber a agressão estiver bem-resolvida, pode nem se abalar. Mas, para outras, as indiretas podem se transformar em tristeza ou raiva.

02/06/2018 - 10:00

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Revista Ana Maria