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Retinoblastoma: diagnóstico precoce é o caminho

Retinoblastoma é a doença que a filha de Tiago Leifert e Daiana Garbin tem

Karla Precioso Publicado em 12/06/2022, às 08h00

Filha de Tiago Leifert e Daiana Garbin tem retinoblastoma - Reprodução/Internet
Filha de Tiago Leifert e Daiana Garbin tem retinoblastoma - Reprodução/Internet

O apresentador Tiago Leifert e sua esposa, a jornalista Daiana Garbin, contaram, por meio das redes sociais, que a filha, Lua, está em tratamento contra o retinoblastoma, um câncer nos olhos mais comum em crianças.

O tumor atinge a retina, a área que forma as imagens, e um dos principais sintomas é a leucoria, um reflexo branco na pupila que, muitas vezes, só é notado quando se irradia luz artificial no globo ocular ou em fotos. De acordo com o A. C. Camargo, a doença responde por 3% dos cânceres infantis. Entre 60% e 75% dos casos são esporádicos, ou seja, uma célula sofre mutação e passa a se multiplicar descontroladamente.

Essa forma de retinoblastoma geralmente aparece em crianças com mais de 1 ano de idade. Os demais casos são hereditários e a criança tem uma mutação num gene supressor de tumor chamado RB1, que está presente em todas as células de seu corpo, inclusive nas que vão dar origem a óvulos ou espermatozoides.

Geralmente, essa mutação é herdada de um dos pais, embora possa ser também uma mutação nova que comece com o paciente, que vai transmiti-la aos descendentes. E, então, o retinoblastoma se desenvolve no bebê antes de 1 ano de idade. Em qualquer situação, o diagnóstico precoce é fundamental. Saiba mais sobre os sinais e o tratamento desse mal.

TIPOS

São três: o retinoblastoma unilateral afeta um olho e representa entre 60% e 75%
dos casos. Destes, 85% são da forma esporádica da doença, e os demais são casos hereditários.

O retinoblastoma bilateral afeta os dois olhos, quase sempre é hereditário e costuma ser diagnosticado bem mais cedo que o unilateral.

O retinoblastoma PNET ou retinoblastoma trilateral ocorre quando um tumor associado se forma nas células nervosas primitivas do cérebro e só atinge crianças com retinoblastoma hereditário bilateral.

SINTOMAS

  • Olho de gato’: crianças com retinoblastoma desenvolvem uma área branca e opaca na pupila (leucocoria), causada pela reflexão da luz provocada pela doença. No Brasil, essa condição é popularmente conhecida como ‘olho de gato’ e é facilmente visível em fotos tiradas com flash.

A criança deve ser levada ao oftalmologista tão logo o fenômeno seja identificado, porque, mesmo que não seja um retinoblastoma, isso pode causar a perda da visão. De acordo com Rodrigo Munhoz, médico oncologista do Hospital SírioLibanês, o ‘olho de gato’ aparece muito em flashes de fotografia:

“Ele é um tumor que nasce na região da retina e cresce, causando esse reflexo esbranquiçado. Qualquer iluminação direta pelo olho da criança faz com que se perceba uma diferença, uma assimetria entre o olho acometido pelo tumor e o olho saudável”, explica.

  • Problemas na movimentação do olho, como estrabismo: também pode ser verificado o movimento de pêndulo de relógio — olho tremendo ou a criança olhando para baixo. Algumas pegam os objetos muito perto e tudo isso é sinal de alerta, mostrando que há alguma coisa anormal.
  • Redução da visão em um olho.
  • Dor no olho.
  • Globo ocular maior que o normal.

Olho preguiçoso (ambliopia), que é quando a visão se encontra reduzida, mesmo após a correção visual com óculos ou lentes de contato.

FATORES DE RISCO

  • Idade: a doença é mais comum em crianças com menos de 3 anos.
  • Hereditariedade: um em cada três casos de retinoblastoma é causado por mutação no gene Rb1, presente em todas as células do corpo da criança. Destes, um em cada quatro casos é herdado de um dos pais da criança.

DIAGNÓSTICO

Vários exames confirmam ou descartam o diagnóstico de retinoblastoma, começando pelo exame de fundo de olho, que é feito pelo oftalmologista. Entre os exames por imagem estão ultrassonografia do globo ocular, tomografia e ressonância magnética das órbitas oculares. Como é muito difícil realizar uma biópsia num tecido do fundo do olho sem danificá-lo, nos casos de retinoblastoma, ela não é feita.

TRATAMENTO

O tratamento tem como foco principal eliminar o câncer, preservar o olho, o máximo da visão e limitar os riscos de aparecimento de um segundo câncer mais tarde, especialmente nas crianças com retinoblastoma hereditário.

O tipo de tratamento vai depender se o câncer está em um olho ou em ambos, do grau de visão do olho afetado e se o tumor se disseminou ou não. A enucleação (retirada do globo ocular) ocorre apenas nos casos de tumores muito grandes e com ausência de visão no olho comprometido. 

E o mesmo basicamente combina terapias oftalmológicas, como laserterapia e crioterapia, com a quimioterapia para eliminar o tumor. A laserterapia é bastante eficaz para tumores pequenos restritos à retina e que não envolvem a mácula, a parte mais importante da retina para a visão. 

A crioterapia usa uma pequena sonda para congelar o tumor e destruí-lo. A quimioterapia pode ser usada tanto para atacar o tumor quanto para reduzi-lo e tornar a laserterapia ou a  crioterapia mais eficientes. A radioterapia também é bastante eficaz e inclui uma pequena placa com sementes radiativas colocada fora do olho, perto do tumor.

TESTE DO OLHINHO

Segundo a oftalmologista Ariadna Muniz, é fundamental fazer o teste do olhinho no bebê ao nascer. E é igualmente importante levar a criança ao oftalmologista entre os 2 e 3 anos de idade.

O grande problema é que as doenças que mais causam a perda da visão na infância, como câncer, catarata e glaucoma congênito, podem ficar adormecidas e se desenvolver nos primeiros anos de vida, não sendo descobertas no nascimento do bebê.

Por isso, a recomendação do Conselho Brasileiro de Oftalmologia é de que o teste do olhinho seja repetido três vezes ao ano até a idade de 3 anos.

PREVENÇÃO PRIMÁRIA

Não há prevenção primária ou rastreamento para o câncer infantil de um modo geral e os fatores externos não são tão relevantes para o desenvolvimento da doença. Em crianças e adolescentes, a maior parte dos casos é decorrente de alterações no DNA ainda na formação do embrião ou no início da vida, a chamada mutação genética adquirida.

“Por isso, o diagnóstico precoce é tão importante”, alerta Ana Claudia Carramaschi, pediatra e hematologista pediátrica da GeneOne, laboratório de genômica da Dasa.

É na consulta, quando o médico levanta a história clínica detalhada e faz um bom exame físico, que muitas doenças são diagnosticadas ainda no início. Estima-se que 80% das crianças acometidas pela doença podem ser curadas se diagnosticadas precocemente e tratadas adequadamente.

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