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Administrador recebeu diagnóstico de autismo aos 41 anos: 'Tentando me encaixar'

Walter Costa Junior descobriu ser portador de autismo aos 41 anos e enfrentou preconceitos; ele contou à AnaMaria que foi questionado sobre sua condição

por Marcela Almeida

malmeida@caras.com.br

Publicado em 24/04/2023, às 12h44

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Walter Costa Junior foi diagnosticado com autismo aos 41 anos - Foto: Divulgação
Walter Costa Junior foi diagnosticado com autismo aos 41 anos - Foto: Divulgação

Walter Costa Junior descobriu ser portador de autismo aos 41 anos. Ele se descobriu uma pessoa neuroatípica há apenas seis meses, quando leu um artigo que relatava a história de uma senhora que descobriu o transtorno do espectro autista aos 60 anos e se identificou com as situações descritas sobre ela. O administrador chegou a ser questionado sobre sua condição. "Tentando me encaixar", contou em entrevista à AnaMaria.

"Me vi nas mesmas situações ali descritas, compartilhei com meu psiquiatra e, a partir daí, foram meses de consultas quase semanais e conversas baseadas no DSM 5 até chegarmos ao meu diagnóstico", disparou sobre o artigo que leu. Ele lembra os meses de dor, mas que foram necessários. "Mesmo antes do laudo, eu já sabia o resultado, e aos 41 anos, finalmente entender o que acontecia comigo fez eu encontrar muitas respostas", declara ele, emocionado.

Embora trabalhe em um local que valoriza a inclusão, Walter conta que, em alguns momentos de sua vida, ainda lida com preconceitos. "Quando escuto frases como 'Mas você não tem cara de autista!', 'Como você consegue conduzir uma reunião?', 'Como você conseguiu se formar na faculdade?', ou até 'Você é igual ao Messi?', fica claro que as pessoas possuem uma visão muito limitada e estereotipada sobre como é uma pessoa autista", desabafa o coordenador da Apsen.

"Normalmente se pensa que nossas capacidades e talentos são muito limitadas, mas nós podemos estar e ocupar todos os lugares – independente do setor, área ou hierarquia. Basta que exista uma cultura verdadeiramente inclusiva na empresa", completa.

De toda forma, o reconhecimento das capacidades de pessoas que possuem o transtorno de espectro autista não anula a importância do acolhimento e, quando necessário, do suporte que deve ser garantido a elas. As diferenças existem e muitas vezes geram muito sofrimento pra quem convive com a dificuldade de tentar se encaixar em um mundo que, muitas vezes, não está preparado pra lidar com pessoas neurodiversas.

O administrador já foi questionado a respeito de sua condição. "Já ouvi muitas perguntas como 'o seu grau é leve, né?' Me questiono sobre o que consideram leve. Passei a vida tentando me encaixar, tive várias crises após excessos de estímulos, desenvolvi forte seletividade alimentar… Leve? Só para quem está vendo a situação de fora!", afirma ele. "Meu processo de aceitação foi rápido, mas sei que nem sempre é assim. O diagnóstico é só o início de uma grande jornada de autoconhecimento que eu estou sempre disposto a percorrer".

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