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De atriz a empresária, Karina Dohme fala sobre empreitada com alimentos naturais: “Vivemos o que vendemos”

Karina Dohme revelou como consegue conciliar a atuação ao empreendedorismo

Karla Precioso Publicado em 10/07/2022, às 08h00

Dohme fez sua última aparição nas telinhas em 'Quanto Mais Vida, Melhor' - Instagram/@karinadohme/@marciofariasfoto
Dohme fez sua última aparição nas telinhas em 'Quanto Mais Vida, Melhor' - Instagram/@karinadohme/@marciofariasfoto

Karina Dohme começou a fazer campanhas publicitárias aos 7 anos, quando assinou seu primeiro contrato com a Globo, no consagrado seriado 'Sandy & Junior'. A atração ficou no ar durante quatro anos e seu trabalho como atriz decolou. Atuou também em 'Brava Gente', 'Sob Nova Direção', 'Malhação', 'Beleza Pura', 'Tempos Modernos' e 'Amor à Vida'.

Sua veia cômica a fez ganhar destaque no programa 'Turma do Didi'. No teatro, os destaques vão para os musicais 'Tutti-Frutti' e 'Amiga, Vamos ao Banheiro?'. Depois de cinco anos afastada da telinha, fez parte do elenco de 'Quanto Mais Vida, Melhor!'. “Foi como voltar a andar de bicicleta. Inicialmente, fiquei insegura, mas, já no primeiro dia de gravação, me encontrei e tive a certeza de que seria ótimo”, conta.

Karina também se encontrou como empreendedora. Ao lado do marido, Lucas Lopes, ela comanda duas lojas de alimentos naturais. E o novo ramo não surgiu por acaso. “Esse estilo de vida me curou. Quando entendi que me alimentar melhor fazia com que o ato de comer passasse a ser algo prazeroso e, automaticamente, isso refletia em meu corpo, tudo mudou.”

A vivência do casal justifica a consolidação do negócio: “Vivemos exatamente o que vendemos. Somos provas vivas de todo o processo de transformação pela alimentação”. Na entrevista que você vai ler a seguir, a atriz e empresária faz um alerta sobre nossas escolhas e suas consequências na vida!

Com um currículo extenso como atriz, você também se encontrou como empreendedora. Como surgiu a ideia de empreender na área de alimentação natural?
O Lucas estava insatisfeito profissionalmente e queria dar um novo rumo à vida. Nós estávamos muito alinhados com uma nova filosofia da alimentação: comer bem e saudável. E era difícil encontrar uma loja que tivesse tudo o que a nossa rotina alimentar incluía. Foi aí que ele decidiu abrir uma loja em que ele mesmo gostaria de ser cliente. No início do projeto eu ainda estava contratada da Globo e ele me pediu uma ajuda. Acabei me envolvendo tanto que, quando abrimos a loja, eu já estava completamente imersa nesse universo. Estava encantada com a nossa causa, afinal eu era a prova viva dos impactos de uma boa alimentação. Me descobri também como gestora. Em pouco mais de um ano, abrimos a segunda loja, que também demandou dedicação. E assim fui ficando. Em 2019, comecei a sentir falta de atuar, que é o que realmente movimenta minha alma, e, em 2020, veio o convite para a novela. Acho que o universo me ouviu [risos].

Como foi antes e é agora sua relação com a comida?
Minha relação com a comida foi muito ruim até os 22 anos. Primeiro, porque eu não tinha nenhuma noção alimentar sobre o que nutria e o que “envenenava” o corpo. Eu era jovem, morava sozinha no Rio, me virava como dava e vivia à base de macarrão instantâneo e refrigerante zero açúcar [risos]. E era muito cobrada para ser magra, sem celulite. Isso era muito cruel. Então, via a comida como inimiga. Achava que, se eu comesse, engordaria. Tive transtornos alimentares, tomei remédios para emagrecer e fiz dietas malucas. Isso custou caro para o meu corpo. Só depois de muita terapia e aceitação entendi que os alimentos transformam e curam o corpo e a alma. Fui deixando de dar espaço para pessoas ditarem o que eu deveria fazer com meu corpo. A partir daí, tudo mudou. Comecei a emagrecer de forma natural, minha saúde melhorou, passei a fazer escolhas mais conscientes e os alimentos deixaram de ser vilões. Descobri novos sabores e hoje não consigo me alimentar de outra maneira.

Seguir um estilo de vida saudável foi uma decisão difícil de tomar?
Foi uma decisão necessária de alguém que não aguentava viver mais com tanta cobrança e violência com o próprio corpo. Acho que foi uma questão de sobrevivência inicialmente. Então, fui aos poucos aprendendo a mudar toda uma vida de hábitos equivocados. Era recompensador ver os resultados na minha forma física, disposição e até no humor. O processo foi ficando cada vez mais prazeroso.

Para quem busca mudanças em seu estilo de vida, que dica você dá?
Tenha persistência! No início, parece complicado, mas, hoje, existe um mundo de oportunidades e possibilidades para ser saudável. Comida viva é o meu lema. Quanto menos a gente precisar desembalar para comer, melhor! Optar por produtos frescos, entender o que faz bem para o seu corpo é um processo delicioso. Tem que vivenciar!

E como é trabalhar com o marido? Dá para conciliar a rotina sem deixar o romance de lado?
Acredito que sim, afinal temos feito isso até hoje [risos]. Não é fácil, pois o casal vive os mesmos problemas e acaba levando esses problemas para casa. Temos que ter muita disciplina para não deixar que a relação vire só sociedade. Mas, por outro lado, nós nos apoiamos, nos completamos, seguramos a onda um do outro e, principalmente, nos respeitamos como profissionais. Acredito que, quando a relação é sólida e tem disciplina, é possível, sim, ter um excelente sócio e um romance saudável e preservado.

Então, quais os prós e contras de trabalhar em família?
Os contras é que você tem alguém vivendo os problemas e questões com você e não pode ouvir uma opinião isenta de seu parceiro, porque ele está completamente envolvido naquilo. A parte boa é ter um parceiro de vida, construindo um projeto junto, colocando a energia no mesmo lugar, dando apoio nas dificuldades e encorajando um ao outro.

Agora, falando sobre a carreira de atriz, a personagem Teca foi uma mistura de humor e vilania. Foi sido um desafio para você essa ‘combinação’?
Sim, pois o humor é uma zona em que eu transito muito bem, com segurança e firmeza, mas a vilania é algo novo. Eu precisei encontrar um caminho para que a Teca fosse convincente, que as pessoas pudessem dar risada com ela e, ao mesmo tempo, ter ódio de tudo o que ela faz. Eu lia as cenas e pensava sobre o que a estaria levando a ser tão cruel, como tinha sido sua infância, que dores ela carrega... Poucos trabalhos me propiciaram esse aprofundamento.

Rir é mais difícil que chorar?
De certa forma, acho que sim. Nós vivemos num mundo tão duro, que arrancar uma risada verdadeira, uma gargalhada das boas é para poucos e tem um efeito formidável sobre quem está assistindo. Tem sensação e injeção de serotonina e endorfina melhores depois de uma boa gargalhada? É um privilégio poder trabalhar com humor.

Ainda sobre a Teca, ela foi uma mulher que quer se dar bem na vida e acha que pode fazer isso por meio dos relacionamentos. A Karina Dohme também pensa assim? Como é ‘se dar bem’ na vida para você?
A Karina Dohme é uma pessoa de coração bem mole. Sempre fui muito certinha, preocupada com as pessoas, com fazer o justo, seguir a regra. De certa forma, isso até foi motivo de sofrimento. O mundo exige que, às vezes, você seja mais flexível. Fui criada no interior, por um pai alemão rígido, então, a opção “se dar bem na vida” por qualquer outro fator que não seja seu talento e seu esforço nunca existiu para mim. Se dar bem na vida é deitar no travesseiro e dormir com a consciência tranquila, ser fiel aos seus valores, praticar o que você acredita, não se corromper por absolutamente nada.

Você já declarou: “Hoje sou pé no chão e aprendi a dar valor ao dinheiro e saber que a carreira não é glamourosa e incrível o tempo todo”. Já se decepcionou com a vida artística?
Na verdade, não me decepcionei. É claro que a nossa carreira é muito instável e temos momentos de ótimos contratos e momentos mais parados, mas eu não me referi a isso. Comecei a trabalhar muito cedo e ganhava relativamente bem para a minha idade. Que jovem de 13 anos já tinha salário? Esse dinheiro era integralmente meu, porque meus pais não dependiam de mim. Então, até que eu precisasse pagar minhas contas e entender o valor do dinheiro, vivi um pouco uma vida irreal. Comprava roupas e mais roupas, estava me divertindo atuando, faltava um pouco de noção, muito pela pouca idade também, claro. Aos 17 anos, queria morar no Rio e meu pai me disse: ‘Agora é com você. Pago sua faculdade e o restante você tem que correr atrás. E essa etapa foi fundamental para eu reavaliar toda minha relação com o dinheiro e entender o quanto era difícil sustentar a própria vida [risos]. Para mim, foi fundamental assumir essa responsabilidade tão nova. Sou muito grata a isso, porque me fez mais madura, centrada e realista.