AnaMaria
Famosos / Alvará de soltura

Belo é solto após desembargador aceitar pedido de habeas corpus

Cantor foi preso após realizar um show e promover aglomerações no Rio de Janeiro

Da Redação Publicado em 18/02/2021, às 09h16 - Atualizado às 09h17

Belo foi preso no Rio de Janeiro, na tarde da última quarta-feira (17) - Anderson Borde/AgNews
Belo foi preso no Rio de Janeiro, na tarde da última quarta-feira (17) - Anderson Borde/AgNews

O desembargador Milton Fernandes de Souza acatou o pedido de habeas corpus da defesa de Belo e mandou expedir um alvará de soltura do cantor, na madrugada desta quinta-feira (18). As informações são do portal G1. 

O músico foi preso na última quarta-feira (17), pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ele está sendo investigado pela realização de um show no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, que promoveu aglomerações, mesmo diante das proibições devido à pandemia do novo coronavírus.

"Até agora eu não entendi o que eu fiz para estar passando por essa situação. Quero saber qual o crime que eu cometi. Subi no palco e cantei", afirmou ao site, após sair da Cidade da Polícia, onde prestou depoimento.

Além disso, a Polícia também está investigando quem pagou o cachê da apresentação e organizou o evento. De acordo com a nota enviada pela Polícia Civil, "todas as pessoas envolvidas no evento serão ouvidas para esclarecimento".

O EVENTO
O show aconteceu no último sábado (13), no interior da Escola Municipal do Parque União, sem a autorização da Secretaria Municipal de Saúde. Ainda de acordo com a publicação, a polícia também está investigando uma invasão ao colégio.

Em nota, Belo e sua família afirmaram estar surpresos com a prisão preventiva do cantor. Ele pediu desculpas pela apresentação e questionou a decisão da Justiça.

"O espanto se dá em razão da prisão ter ocorrido mesmo após parecer contrário do Ministério Público (MP) e também da falta de isonomia quando se trata de apresentações artísticas durante a pandemia da Covid-19, pela qual Belo teve a saúde acometida há três meses e a agenda cancelada integralmente há um ano. Ciente da gravidade da crise sanitária, Belo pede desculpas por ter se apresentado em uma aglomeração."

OUTRAS PRISÕES
Vale lembrar que Belo já foi preso outras duas vezes. O músico foi condenado no dia 30 de dezembro de 2002 a seis anos de prisão, acusado de associação para o tráfico, mas ficou preso por cerca de um mês. Depois, em novembro de 2004, ele foi preso novamente, enquanto estava escondido dentro de casa. Dessa vez, passou três anos e oito meses na cadeia.

CONFIRA A NOTA DA ASSESSORIA DE BELO NA ÍNTEGRA 
"O cantor Belo, sua família e equipe estão surpresos e consternados com o mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 17, no âmbito da investigação sobre a apresentação do músico em evento no último sábado, 13, no Complexo da Maré, Zona Norte da capital fluminense. O show foi legalmente contratado pela produtora Série Gold, conforme comprovam notas fiscais e outros documentos já entregues às autoridades.

O espanto se dá em razão da prisão ter ocorrido mesmo após parecer contrário do Ministério Público (MP) e também da falta de isonomia quando se trata de apresentações artísticas durante a pandemia da Covid-19, pela qual Belo teve a saúde acometida há três meses e a agenda cancelada integralmente há um ano.

Ciente da gravidade da crise sanitária, Belo pede desculpas por ter se apresentado em uma aglomeração. O cantor retomou há pouco uma agenda parcial de shows, com compromissos ainda insuficientes para reverter o prejuízo dos meses em que esteve impedido de trabalhar, enquanto indústria, comércio e outras atividades de lazer — inclusive as casas de show — voltaram a funcionar, ainda que com restrições. Como qualquer brasileiro, Belo é um cidadão com contas a pagar por meio de sua atividade profissional e sempre o fará sem distinções, principalmente de classe social.

Completa o estado de choque do cantor o fato de que o evento de sábado não foi o primeiro e nem será o último em que aglomerações fugiram do controle dos organizadores. No entanto, chamou atenção das autoridades, de maneira mais expressiva, justamente um episódio na Maré, uma das maiores favelas cariocas, onde eventos culturais já são comumente reprimidos pela ideia de que os moradores de comunidades não merecem vivenciar a arte da mesma maneira do que aqueles que residem em áreas mais ricas da cidade. Ecoando o questionamento feito ao longo do dia nas redes sociais, a equipe de Belo também se pergunta se a situação seria a mesma caso o show ocorresse em bairros da Zona Sul e com artistas de gêneros musicais menos negligenciados do que o pagode. Um exemplo dessa distinção é o fato de não haver registro de prisões na interdição de um baile de carnaval."