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Em entrevista íntima, Marco Pigossi fala sobre sexualidade e traumas: “Pedia a Deus para me consertar”

Marco Pigossi se assumiu gay ano passado e namora um cineasta italiano

Da Redação Publicado em 11/07/2022, às 16h15

Marco Pigossi conta como foi apresentar o namorado à família - Instagram/@marcopigossi
Marco Pigossi conta como foi apresentar o namorado à família - Instagram/@marcopigossi

Marco Pigossi se assumiu gay ano passado, em uma entrevista íntima e profunda à revista ‘Piauí’ e, desde então, vem tentando trazer a luta LGBTQIAP + para seu trabalho, bem como para a comunidade.

Em entrevista ao jornal ‘O Globo’, o ator falou um pouco mais sobre esse assunto em relação à sua família, contando até como foi o momento deles conhecerem seu atual namorado, o cineasta italiano Marco Calvani.

"Com meu pai, é sempre tenso, não há naturalidade. É distante do universo dele, que é eleitor do Bolsonaro. Não que ele ache que ser gay é falta de porrada, mas se vota num candidato desse... Existe um ideal político que distância a gente. Ele nunca vai me pegar pelo braço e se unir nessa causa. Diferentemente do amor incondicional da minha mãe", declarou Pigossi.

O ator contou ainda que nunca teve abertura para falar com a família sobre sua orientação sexual. “Eu rezava, pedia a Deus para me consertar. A homofobia é tão enraizada que, por mais que a gente assuma, ainda vai lidar com o preconceito interno. Vesti a máscara heterossexual, sempre fui observado pela beleza. Fiz esse personagem hétero para me esconder, o que deixou minha vida mais confortável. E sou branco, privilegiado, classe média, filho de médicos. Imagina quem está na favela, é negro…”, disse.

Ainda para o jornal ‘O Globo, Pigossi revelou que não era só em casa que se sentia só, na escola, ele também lidou com muitas dificuldades — desde não curtir o recreio com os colegas até deixar de ir à viagem de formatura da sua sala. O que lhe abriu as portas para conhecer uma realidade próxima da sua foi quando começou a frequentar as aulas de teatro, aos 15 anos.

“Conheci corpos gays ali. Era um alívio deixar de ser eu. O que era uma fuga, mas carregada de carga cultural, do despertar como pessoa”, declarou. Marco Pigossi ainda fez questão de falar sobre a importância da autoaceitação.

“A pessoa que se aceita e está feliz com o que é conhece uma força enorme. Se sente com poder para ocupar espaços. E o encontro com a comunidade é uma corrente bonita, a gente se sente fortalecido, cria um senso comunitário. Porque, no fundo, o que a gente mais quer é pertencer. Como homossexual, sentia que não pertencia a nenhum grupo. Todos esses corpos passam por isso. E quando passam a pertencer... É do caralho!”, enfatizou.