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Helga Nemetik fala sobre processo de autoaceitação: ''Essa é a minha estrutura''

Atriz disse que sempre sofreu com os padrões estéticos e as redes sociais, mas agora entendeu melhor o corpo

Karla Precioso Publicado em 13/03/2022, às 08h00

Helga Nemetik fala sobre autoaceitação - Instagram/@helganemetik
Helga Nemetik fala sobre autoaceitação - Instagram/@helganemetik

Helga Nemetik diz que seu plano é ser uma artista completa... Pois já é! O talento como cantora veio à tona no 'Show dos Famosos' e 'Popstar', da Globo. No teatro, brilhou em 'Meu Destino É Ser Star', 'Vamp' e 'Xanadu', ganhando destaque em 'Cinderella, o Musical'. Na TV, em 'Nos Tempos do Imperador' e na série 'Ilha de Ferro'.

A visibilidade como comediante se deu no Zorra Total e, no Superchef Celebridades [quadro do 'Mais Você'], se descobriu cozinheira, estreando, inclusive, o canal Cozinhando com Helga, no YouTube. 

Fora dos holofotes, ela também mostra sua força. Em 2018, encarou uma mudança radical nos hábitos alimentares após diagnóstico de obesidade grau 1. Mas Helga ressalta que o lado estético, de se sentir bem com o que via no espelho, também foi determinante. 

E segue travando uma batalha quando o assunto é aceitação: “Sempre tive dificuldade em me aceitar. Sei que o que realmente deveria importar é o corpo saudável, mas, infelizmente, a cobrança por uma silhueta magra ainda é grande. As redes sociais, em especial, nos fazem idealizar algo que não é nosso. Isso nos deixa com a mente doente, querendo alcançar o inatingível. Desde nova, sonhava em ser magra, não ter quadril grande... Mas essa é a minha estrutura. Sigo no processo de amar e aceitar meu corpo como ele é”. 

Você teve uma grande visibilidade no Zorra Total. Quais as boas lembranças dessa época?

Eu aprendi a fazer televisão no Zorra. Foi um período de quase dez anos de muito aprendizado. Contracenei com mestres do humor como Chico Anysio, Paulo Silvino e Agildo Ribeiro. Uma honra e um privilégio! Éramos uma família.

Você se considera uma atriz cômica?

Imagina! Eu nunca pensei em ser comediante. Meus planos sempre foram ser uma artista completa. Cantar, dançar, atuar no drama e na comédia. Sempre quis ter mais oportunidades para mostrar a versatilidade do meu trabalho. Venho galgando isso.

Você participou de dois realities musicais. O que a música representa em sua vida?

A música veio antes do teatro em minha vida. Comecei aulas de piano e canto na igreja, aos 13 anos. Me considero uma pessoa extremamente musical. Música me emociona, me embala, me anima, me inspira.

Agora de volta ao trabalho no teatro como a Fada Madrinha no musical Cinderella, como é retornar aos palcos?

Está sendo gratificante demais. Me emociono a cada sessão, com a troca que temos com o público. Eu sabia o quanto de saudade estava sentindo deles, mas perceber o quanto eles estavam sentindo a nossa falta também é algo inexplicável. O carinho e a energia que tenho recebido... Isso não tem preço!

Qual o sentimento de dar vida à Fada Madrinha, com muita magia, em tempos tão difíceis? Se pudesse realizar um desejo, qual seria?

Essa personagem tão querida por todos, de um clássico mais querido ainda, foi realmente um presente. Eu que sou filha de assistente social, que aprendi com minha mãe o prazer de ajudar e servir, acabei por colocar muito de mim nessa fada que realiza os desejos da Cinderella. Quisera eu fosse verdade poder realizar o desejo da maioria de todos, que é acabar com essa pandemia, achar a cura para essa doença e tantas outras que assolam a humanidade. Acabar com a fome, devolver empregos e salvar o mundo de tantas atrocidades que o próprio homem comete.

Em entrevistas anteriores, você diz que, desde nova, briga com a balança. Conte-nos como você faz para manter a forma.

Pois é, fora ter uma estrutura física grande e uma genética de obesidade mórbida, tenho problema com hormônios. Precisei retirar a tireoide por conta de dois nódulos. Sou uma pessoa que vivo de dieta e preciso de atividade física ao menos quatro vezes por semana para manter um corpo que, na verdade, nunca será o ideal para mim. A ‘vaidade’ virtual está nos adoecendo, afinal, por causa da mídia e especialmente das redes sociais, acabamos por idealizar algo que não é nosso, que é do outro, inclusive o corpo. E eu não me excluo disso. Corpo enxuto é o que importa? Boa forma e vaidade andam
lado a lado? O que realmente deveria importar é o corpo saudável.

Como já disse, as redes sociais nos fazem idealizar algo que não é nosso. Isso nos deixa com a mente doente, buscando um corpo, uma silhueta irreal. Sempre tive uma visão ‘negativa’ do meu corpo. Desde nova, queria ser magra, não ter quadris largos... Mas essa é a minha estrutura, e nunca serei como modelos de passarela e de capas de revistas. Sigo tentando aceitar meu corpo. Já perdi papéis por não ser magra o suficiente, não ser pequena... Nunca pude fazer a mocinha ou a princesa por ser do tipo ‘mulherão’, como dizem por aí. Foi a duras penas que compreendi que ele não seria, mas ainda estou no processo de amá-lo e aceitá-lo. Vaidade deveria estar ligada ao amor-próprio e à autoaceitação, mas a realidade é outra: a ‘vaidade virtual’ está nos adoecendo, repito. 

"Por causa disso, eu realmente comecei a odiar meu corpo e querer que ele fosse de outra maneira." 

Você é bem assídua no Instagram e sempre está postando dicas de beleza. Cite algumas para as leitoras.

Adoro fazer skincare. Limpeza de pele, máscaras, cremes e até alguns procedimentos estéticos, como laser para tirar manchas de sol. Para o corpo, faço sempre drenagem linfática, pois tenho muita retenção de líquido e adoro uma massagem modeladora também. A pandemia causou uma reviravolta na vida das pessoas. 

Quais os maiores desafios que enfrentou nesse período? 

Ficar sem trabalhar foi realmente difícil. Mas o medo da doença e da morte me causou muita ansiedade e até crises de pânico. Terapia constante foi algo que me ajudou um pouco. A espiritualidade, sem dúvida, é que me manteve em pé. 

E as principais lições tiradas desse momento tão turbulento?

A fé é imprescindível para a minha vida. E, com a pandemia, entendi que sem ela nada sou. Percebi também que as coisas mais simples, como ajudar minha mãe com o jardim e adotar um cachorro, tiveram um valor imensurável e me fizeram refletir sobre o que realmente vale mais a pena na vida. Trabalho é importante demais para mim. Eu sempre dei mais importância à minha vida profissional do que a pessoal, daí veio a pandemia e me mostrou que preciso equilibrar as coisas.