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Lula promete revogar decretos de sigilo de 100 anos de Bolsonaro caso seja eleito

Lula disse que, se tiver algo para investigar, será investigado agora

Da Redação Publicado em 01/07/2022, às 15h45

Lula se referiu aos casos em que Bolsonaro decretou segredo em informações referentes a ele e sua família - Reprodução/Instagram
Lula se referiu aos casos em que Bolsonaro decretou segredo em informações referentes a ele e sua família - Reprodução/Instagram

Lulaafirmou, em entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador, nesta sexta-feira (1º), que, se for eleito, revogará todos os decretos de sigilo de 100 anos feitos por Jair Bolsonaro (PL), logo no primeiro dia de governo.

"O que está acontecendo é uma confusão no Brasil e criada pelo presidente da República, eu diria. Porque ele agora está com uma mania de qualquer bobagem que ele faz, ele decreta um sigilo de 100 anos”, começou o ex-mandatário, criticando o oponente político.

Lula ainda alfinetou Bolsonaro, que sempre se coloca como “inimigo da corrupção” e associa o petista à imagem de corrupto. “Ele diz que não tem corrupção no governo, mas ele sigilou as coisas do filho dele por 100 anos, sigilou a questão do Queiroz. Qualquer trambique que aconteça no governo é sigilo de 100 anos”.

“Por isso que eu digo que vai ter um 'revogaço' no meu primeiro dia de governo. Eu vou revogar todos os decretos de sigilo de 100 anos, porque não há possibilidade. Se o cara roubou, não tem que esperar 100 anos para investigar, investiga agora", prometeu.

As críticas do ex-presidente a Jair Bolsonaro se referem às ocasiões em que o atual mandatário decretou segredo em informações referentes a ele e sua família, que eram solicitadas pela Lei de Acesso à Informação.

Em uma delas, em julho de 2021, o governo impôs segredo sobre os crachás de acesso ao Palácio do Planalto emitidos em nome dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O pedido foi feito pela revista "Crusoé" e a justificativa da Secretaria-Geral da Presidência era que isso estava relacionado "à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem dos familiares" do presidente.

Antes disso, em janeiro do mesmo ano, o cartão de vacinação de Jair Bolsonaro ficou sob sigilo de 100 anos. Isso porque o jornal "O Globo" pediu, através da Lei de Acesso à Informação, os dados de doses de imunizantes aplicadas no presidente.

Em 2022, o mesmo ocorreu com as reuniões realizadas entre Bolsonaro e os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, suspeitos de chefiar um gabinete paralelo no Ministério da Educação.
Lula ainda relembrou seu governo entre 2003 e 2010, dizendo que as coisas eram diferentes e havia mais transparência nos processos. "No meu governo, tinha a Lei de Acesso à Informação que a gente dava acesso a tudo, as pessoas sabiam”, começou.

“A gente cuidava com carinho. Tinha a Lei da Transparência. A Controladoria (Geral da União) funcionava. A gente tinha o baiano Jorge Hagge (na CGU). Se tivesse denúncia, a gente apurava. É assim que se faz. Agora qualquer denuncia contra você, você decreta sigilo de 100 anos”, afirmou.

Ele também criticou o ex-ministro Eduardo Pazuello por sua gestão no Ministério da Saúde, ressaltando o caso das suspeitas de irregularidades na compra de vacinas.

“Depois do que o Pazuello fez com a vacina na pandemia. Depois da quadrilha que foi montada para comprar vacina, recebendo um dólar por cada vacina comprada, você decreta um sigilo de 100 anos? Onde que nós vamos parar? Vamos fazer diferente. Vamos conversar muito com o Congresso. Eu e o Alckmin", informou.

MAIS DA ENTREVISTA

O ex-presidenteLuis Inácio Lula da Silva (PT) insinuou, em entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador, nesta sexta-feira (1°), que não pretende tentar a reeleição em 2026 caso seja eleito neste ano, em 2022.

"Só tenho mais uma chance. Quatro anos. E vou aproveitar”, começou o ex-mandatário e candidato à presidência do Brasil.

Lula ainda aproveitou a oportunidade para cutucar Jair Bolsonaro (PL): “Bolsonaro, você teve sua chance e desperdiçou. O povo brasileiro não te quer mais e vai dar esse recado em outubro. Agora é a chance de fazer uma nova política, com amor e afeto".

O petista ainda citou nomes de seu próprio partido que estariam aptos para sucedê-lo em 2026, como Wellington Dias, Camilo Santana e Rui Costa, atual governador da Bahia.

Durante a entrevista, Lula também falou sobre eventos nos quais participará. Entre eles estão: o comício na Fonte Nova de 2 de julho e a caminhada da Lapinha ao Pelourinho, ambos na Bahia.

O ex-presidente ainda mostrou o carinho que sente pelo estado: "Vou encontrar com minha baianidade. Vou fazer a caminhada. A Bahia é responsável pela Independência do Brasil, através de três mulheres ", disse referindo-se a Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa.