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Samara Felippo conta caso de racismo com filha: ''Estou chorando com ódio e raiva''

Samara Felippo relata caso de racismo com a filha: ''Meu sangue ferveu''

Da Redação Publicado em 09/12/2019, às 12h33 - Atualizado às 12h33

A atriz fez um desabafo nas redes sociais - Instagram/@sfelippo
A atriz fez um desabafo nas redes sociais - Instagram/@sfelippo

Samara Felippo usou as redes sociais, nesta segunda-feira (9), para falar sobre o racismo que a sua filha, Alicia Barbosa, sofreu. 

"Ser mãe de duas meninas negras me abriu para um mundo onde eu descobri que não sabia nada. Não sabia sequer enxergar a dor do outro. Onde eu enxerguei privilégios por ser uma mulher branca numa sociedade tão racista", iniciou a legenda da publicação, citando o trecho da fala de sua peça, ‘Mulheres Que Nascem Com Os Filhos’. 

Para continuar, fez o seu relato: “Estavamos na festa de formatura, enquanto os pais conversavam no salão de festas as crianças brincavam no parquinho ao lado. Quando uma delas veio até a mãe, dizendo: ‘Tem dois adolescentes zoando e implicando com a gente’. Eu imediatamente levantei e fui a passos largos. As crianças relataram: ‘Aqueles três, puxaram o cabelo do fulano, zoaram com a ciclana’”, disse. 

Samara contou o que sentiu na hora: “Meu sangue começou a entrar em ebulição, fui que nem um bicho pra cima dos moleques e falei tudo que tenho vontade pra racistas, mesmo os ainda nem sabem que são. Garotos brancos de 14 anos, classe média de merda, com a camisa verde e amarela, que descobri que um deles é filho de miliciano”, continuou. 

“Os xingamentos para minha filha eram: marrenta, neguinha e cabelo ruim. O clássico do racismo naturalizado. Agradeço ao que me fez sair da minha bolha branca e ter desde cedo esclarecido minha filha, enaltecido sua esperteza, beleza, coragem, seu cabelo, sua pele, suas raízes… e feito ela sair dessa situação de cabeça erguida e fortalecida. Sei que não será a primeira e nem a última vez que ela passará por isso”, contou. 

Por fim, deixou um questionamento aos seus seguidores: “Te pergunto: se eu, mulher branca, estou até agora chorando sozinha, com ódio e raiva, querendo esfolar a cara daqueles moleques e os pais deles, como não validar e enxergar a raiva e ódio de séculos de humilhação e violência?”.