As lições da Copa para a criançada

Aproveite o maior evento futebolístico do mundo para transmitir valores e trabalhar a inteligência emocional do seu filho

Ana Bardella

Querer vencer é muito importante, mas aceitar a derrota é decisivo para ser um ser humano melhor! | <i>Crédito: iSTOCK
Querer vencer é muito importante, mas aceitar a derrota é decisivo para ser um ser humano melhor! | Crédito: iSTOCK

Se para os adultos a Copa do Mundo já é divertida, para os pequenos se trata de uma memória que está sendo construída e ficará guardada com carinho por muito tempo. Afinal, o país inteiro se mobiliza na torcida pelos jogadores: cada um dá um jeitinho de reunir a família em casa, se juntar com os amigos para assistir às partidas e vibrar a cada vez que os jogadores entram em campo. É verde e amarelo para cá, álbum de figurinhas para lá... E pouco a pouco a empolgação vai tomando conta! Veja como aproveitar esse clima a favor da educação dos filhos. Você vai ganhar de goleada!

Fale sobre a diversidade cultural

Enquanto assiste aos jogos pela televisão, converse com o pequeno sobre os demais países. “Essa é uma excelente oportunidade para mostrar à criança a extensão do mundo”, garante Luciana Brites, psicopedagoga e uma das fundadoras do Instituto NeuroSaber. Se tiver um mapa-múndi, pode ser divertido mostrar para o pequeno onde ficam alguns dos países, além de falar sobre o clima ou o idioma local. “Também é possível mostrar as camisas, as bandeiras, a constituição física, o hino... E assim explicar que cada parte do mundo tem a sua própria cultura”, completa. Se tiver imigrantes na família, conte de onde eles vieram. Aproveite também para perguntar à criança se ela gostaria de conhecer algum desses países e por quê. Esses diálogos são divertidos!

Espírito de equipe

Outro ponto-chave da Copa é a colaboração entre os jogadores. “Todos precisam se empenhar para conquistar um objetivo em comum”, ressalta Luciana. Quando estiverem assistindo às partidas, assim que um dos times fizer um gol, mostre para a criança que o mérito não é somente daquele que finalizou a jogada, mas também dos outros, que criaram as condições favoráveis para que ele pudesse acontecer. Também vale a pena assistir às entrevistas dos atletas – que comentam as partidas do ponto de vista coletivo e nunca individual.

Empatia

Outro exercício interessante para fazer com a criançada nessa época é o de se colocar no lugar das demais pessoas. Pergunte a ela como reagiria se estivesse na pele dos jogadores, sob os olhares do mundo todo. Usar o nome dos grandes craques é uma boa tática: como eles devem estar se sentindo? Quais serão as suas táticas para esquecer a pressão e se concentrarem nos jogos? É um ótimo momento para questionar se em algum momento ela já sentiu algo parecido e contar sobre as situações em que você ou outros adultos já estiveram sobre pressão – e como lidaram com isso. Aqui vale a sinceridade!

“O importante é competir”

A frase é antiga, mas não deixa de ser verdade. E o evento é a oportunidade perfeita para mostrar isso para a garotada! “É claro que todos os times buscam o primeiro lugar, mas o foco deve estar no esforço dedicado e não somente no resultado”, reforça a psicopedagoga. Uma boa comparação pode ser feita com a vida escolar: o momento da prova é como o jogo, na qual o time (ou o estudante) será avaliado. E os treinos são como as lições de casa, os trabalhos e as aulas. O bom desempenho depende muito das táticas usadas e do tanto de esforço que foi aplicado anteriormente. A dedicação faz toda a diferença!

Perdas ou empates também ensinam

Caso o resultado de um jogo não seja como o esperado, aproveite para trabalhar a frustração. Afinal, mesmo nos preparando, não é sempre na vida que saímos vencedores de uma situação – e de nada adianta xingar. “Muitas crianças têm uma atitude de desistência depois de se sentirem frustradas”, aponta. No entanto, o futebol é uma chance de mostrar a elas que novas oportunidades virão, novos campeonatos vão acontecer e que, da próxima vez, as coisas podem ser diferentes. Ter resiliência é não desistir dos objetivos e perceber os pontos que precisam ser melhorados para que os resultados possam ser alcançados da próxima vez. E vale lembrar que um único resultado não invalida as conquistas anteriores! É preciso saber valorizar o processo como um todo.

 

05/07/2018 - 13:37

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