Puberdade precoce e suas consequências

O desenvolvimento antes da hora pode, sim, causar problemas físicos e emocionais na criança. Saiba os motivos, quando procurar o médico e o tratamento ideal

Júlia Arbex

Puberdade precoce e suas consequências | <i>Crédito: iStock
Puberdade precoce e suas consequências | Crédito: iStock

Aparecimento das mamas, evolução dos testículos, surgimento de pelos na região pubiana e nas axilas, aumento da oleosidade da pele e acne não são necessariamente sintomas da adolescência, que normalmente acontece entre os 8 e 13 anos nas meninas e 9 e 14 anos nos meninos. Por algum motivo, esses sinais fazem parte da vida de algumas crianças que ainda não estão no momento certo de transição – da infância para a adolescência. A endocrinologista pediátrica do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, Camila Novaes, e a endocrinologista Rosália Padovani, esclarecem as principais dúvidas sobre a puberdade precoce e garantem: se a criança tiver acompanhamento adequado desde o aparecimento dos primeiros sinais, é possível desacelerar os hormônios e, assim, frear esse processo até o momento adequado.

O que é puberdade?

É a passagem da infância para a adolescência, na qual o corpo e a mente do indivíduo sofrem várias transformações. Nos meninos, é marcada pela primeira ejaculação. Já nas meninas, a principal característica é a menstruação.

Quando a puberdade é considerada precoce?

A puberdade é um processo natural de amadurecimento, ou seja, a pessoa sofre mudanças físicas e adquire capacidade reprodutiva. Esse processo é considerado precoce em meninas com menos de 8 anos e meninos com menos de 9.

É mais comum em quem?

O problema ocorre até dez vezes mais nas meninas do que nos meninos. “Não existe nenhuma explicação científica para isso, mas pode ser por conta da genética, já que as filhas tendem a ter a primeira menstruação com uma idade próxima a que a mãe teve”, explica Rosália. Mas mães de garotos também devem ficar atentas!

E por que pode aparecer antes do momento?

Ainda não sabemos as causas exatas, mas podem estar relacionadas ao:

- Sobrepeso e obesidade.

- Estresse, depressão e trauma.

- Influência genética.

- Erotismo precoce (assistir a filmes e programas que não são para a idade).

- Problemas neurológicos.

- Desenvolvimento de tumores.

Os principais sinais

“A puberdade precoce masculina é caracterizada pelo desenvolvimento dos testículos, presença de pelos no corpo, alteração da voz e do comportamento e aparecimento do pomo-de-adão. A feminina é definida pelo desenvolvimento das mamas, menstruação e pelos na região genital e debaixo dos braços. Em ambos os sexos, podem acontecer mudanças de comportamento e aumento da produção de sebo da pele, principalmente no rosto”, diz Rosália.

Quando é preciso procurar um médico?

Se algum dos sintomas citados acima aparecerem no seu filho e ele tiver menos de 8 anos. O ideal é marcar uma consulta com o pediatra e, se necessário, ele encaminhará para um endocrinologista. “O distúrbio merece, sim, atenção, pois as crianças correm o risco de apresentar alterações no crescimento e sofrer com obesidade, hipertensão e diabetes. O problema também pode trazer distúrbios psicológicos e fazer com que a sociedade exija dos pequenos comportamentos mais maduros quando ela ainda é uma criança.”

Como é feito o diagnóstico?

Além da avaliação clínica, devem ser realizados exames como raio-X, ultrassom da pelve, ressonância magnética e de sangue para medir os níveis de hormônios.

Mas tem tratamento!

Se o médico identificar uma causa específica para a puberdade precoce, ele vai tratar a raiz do problema. Mas se o caso do seu filho não tiver um diagnóstico definido, o médico irá avaliar uma série de fatores para começar o tratamento. O remédio usado é uma injeção administrada mensalmente, responsável por barrar a evolução da puberdade e deve ser interrompida quando a criança estiver madura para entrar na adolescência. Está disponível no SUS.

 

 

13/04/2018 - 13:11

Conecte-se

Revista Ana Maria