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Entenda como a luz azul de aparelhos eletrônicos pode prejudicar o seu sono

Oftalmologista explica fenômeno e conta como ele pode afetar sua vida

Da Redação Publicado em 04/12/2020, às 11h00

Oftlamologista explica como a luz azul pode prejudicar sua vida - Banco de Imagens / Pixabay
Oftlamologista explica como a luz azul pode prejudicar sua vida - Banco de Imagens / Pixabay

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% dos brasileiros são afetados pelo distúrbio do sono. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontou que o fato se agravou com a chegada da pandemia do novo coronavírus.

De acordo com as descobertas, as alterações do sono afetaram 50,3% dos brasileiros até o dia 1º de maio de 2020. Para complementar, um estudo publicado em junho de 2019 mostra que o nível de uso de luzes artificiais durante a noite pode ter uma grande responsabilidade sobre a questão, além de ajudar no aumento de peso.

Para entender isso melhor, AnaMaria Digital conversou com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, que explicou como a exposição à luz tem relação com o ganho dos quilos extras.

O METABOLISMO
Basicamente, é preciso entender que a luz controla o nosso metabolismo por completo e, desde que a lâmpada foi inventada, a humanidade vai contra a sua natureza. Isso porque a claridade do dia ativa a produção de dois hormônios que deixam o ser humano em estado de vigília: o cortisol e a adrenalina.

Queiroz Neto explica que o primeiro ajuda a controlar o estresse, mantendo também o sistema imune e a glicemia em equilíbrio, enquanto o segundo regula os batimentos cardíacos, a pressão arterial e a frequência respiratória. Com o entardecer, a produção de ambos diminui e a glândula pineal faz com que a produção de melatonina, conhecida como o indutor do sono, aumente.

A RELAÇÃO ENTRE A LUZ AZUL E O RELÓGIO BIOLÓGICO
O médico pontua que o período de isolamento social causou uma alteração drástica na rotina da população e fez com que o uso de aparelhos eletrônicos que emitem luz azul, como celulares e computadores, aumentasse radicalmente.

Para que o estrago não seja tanto, ele recomenda desligar os objetos mencionados, além do videogames, logo no início da noite, pois eles bagunçam o relógio biológico e trazem diversas consequências. Entre elas: a inibição da produção de melatonina, que leva ao aumento de adrenalina, aceleração dos batimentos cardíacos, avanço da pressão arterial e diminuição do sono.

No entanto, se a advertência não for seguida, os danos podem ir além dos citados anteriormente. Há chances do cortisol sofrer uma elevação, a produção de insulina ser inibida, ocasionando o surgimento da diabetes, uma doença crônica com efeitos em todo o nosso organismo, afetando inclusive os olhos.

HORA DE PARAR
Queiroz Neto ressalta que o próprio corpo avisa quando é hora de parar. “Na frente de uma tela, piscamos 20 vezes menos e fazemos um esforço visual concentrado para manter os olhos focados só para perto”, descreve.

Além disso, alguns sintomas são notáveis, como a visão embaçada, ardência, vermelhidão, dificuldade de focar e até mesmo a sensação de que há areia dentro dos olhos. Por isso, o oftalmologista recomenda que se olhe para um ponto distante; saia da frente da tela por alguns instantes e assim que voltar, abaixe o brilho dela; pisque voluntariamente e mantenha os olhos sempre hidratados.

SURGIMENTO DA MIOPIA
Leôncio reitera que é recomendado o uso de telas por crianças que têm acima de dois anos é de, no máximo, duas horas ininterruptas. Caso passe deste tempo, a chance das crianças terem miopia acomodativa, uma dificuldade temporária de focar à distância, aumenta.

“Os estudos mostram que a miopia pode se tornar alta quanto mais cedo é contraída. Além disso, geralmente a progressão é mais intensa na infância” declara, ressaltando que o exame com um oftalmologista se faz muito necessário.