Trombose: saiba quais hábitos podem aumentar o risco da condição

Saiba quais hábitos podem aumentar o risco de desenvolver trombose

sábado 21 setembro, 2019
A principal característica da trombose é a formação de coágulos
A principal característica da trombose é a formação de coágulos Foto:Banco de Imagem/Shutterstock

É provável que você já tenha ouvido falar sobre trombose. Afinal, a doença costuma ser citada em diferentes contextos: nas conversas sobre a saúde da mulher, o problema aparece como um efeito colateral de anticoncepcionais; já quando se trata de sedentarismo, também é tratada como uma das possíveis complicações. 

Afinal, qual sua verdadeira origem e de que forma pode ser evitada? AnaMaria foi atrás de especialistas para tirar estas e outras dúvidas. 

PROBLEMA DE CIRCULAÇÃO 
A principal característica da trombose é a formação de coágulos que dificultam ou impedem a passagem do sangue. Elas costumam provocar inchaço, dor e vermelhidão no local afetado. 

“Existem dois tipos: um deles ocorre na artéria e o outro na veia”, explica Suely Meireles Rezende, hematologista e professora da Universidade Federal de Minas Gerais. Nos dois casos, a região mais propícia ao desenvolvimento são os membros inferiores

Um dos maiores riscos da doença está associado ao desprendimento do coágulo: solto, ele pode percorrer a corrente sanguínea até o pulmão e prejudicar o desempenho do órgão. Essa condição, conhecida como embolia pulmonar, leva, em muitos casos, à morte. Por isso previna-se e procure um médico caso haja suspeitas.

DESLOCAMENTO LONGO 
“Quem vai fazer uma viagem com mais de quatro horas de duração – seja de carro, ônibus ou avião – precisa tomar alguns cuidados”, ressalta Daniel Mendes, angiologista do Hospital Felício Rocho. 

O risco vem do tempo excessivo com o corpo parado, pois isso dificulta a circulação do sangue. Diante desse quadro, o médico recomenda: “Pessoas com histórico familiar de trombose devem procurar um especialista antes da viagem para receber orientações e, se for algo necessário, os medicamentos adequados para a prevenção”. 

Mendes também ressalta a importância de se movimentar durante o trajeto pelo menos a cada duas horas. “Se puder levantar, dê uma volta no corredor. Já se estiver no carro, faça movimentos circulares com os pés para cima e para baixo diversas vezes”, completa.  

TRABALHAR SENTADO
Independentemente da causa, a imobilização prolongada é um dos maiores vilões da trombose. Na opinião de Suely, a sociedade tende, cada vez mais, a ficar imóvel. “São muitas as facilidades: escadas rolantes, elevadores, controles remotos... Tudo isso reduz os esforços físicos do dia a dia”, explica ela. A recomendação, portanto, é exercitar as pernas a cada hora – a dica se torna ainda mais importante para aqueles que trabalham a maior parte do dia sentados. “Uma caminhada para ir ao banheiro ou beber água já faz diferença”, aponta.

SEDENTARISMO 
“A panturrilha é o coração das pernas. A cada contração muscular bombeamos o sangue e ativamos a circulação. Situações nas quais a musculatura fica parada por muito tempo podem causar retenção de líquido, levando a inchaço, sensação de pernas pesadas e cansadas, aumentando a predisposição a desenvolver varizes e também trombose”, explica a angiologista Aline Lamaita. 

Por esse motivo, recomenda-se manter um estilo de vida saudável e praticar atividades físicas. Para aqueles que já passaram dos 40 anos, o ideal é fazer um acompanhamento médico, pois esta fase da vida requer cuidados especiais. 

“Como parte do processo natural de envelhecimento ocorre perda de massa magra, ou seja, da musculatura. Logo, vale seguir uma rotina de exercícios que coloquem o corpo em movimento, ajudando na circulação e que também previnam esta perda”, diz. 

PÍLULAS ANTICONCEPCIONAIS 
Não é mito: o método contraceptivo que funciona muito bem para a sua amiga pode não ser a melhor opção no seu caso. Por quê? As pílulas contêm hormônios e eles interferem na circulação sanguínea. 

“O uso deve ser discutido junto ao ginecologista, para que ele explique os benefícios e riscos envolvidos em cada caso”, defende Aline. “Mulheres acima de 35 anos, fumantes, obesas, que sofrem com doenças crônicas, que estão fazendo uso de medicamentos quimioterápicos ou com histórico de trombose na família têm mais riscos de sofrer uma trombose e, portanto, devem estar cientes dos riscos envolvidos antes de tomar esta decisão”, alerta. 

Ana Bardella
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