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Notícias / Bem-estar e Saúde / Doença neurodegenerativa

Você sabia? A Doença de Parkinson também pode afetar jovens

Embora menos frequente, cerca de 10% dos diagnósticos são em pessoas com idade inferior a 45 anos

Karla Precioso Publicado em 16/07/2022, às 08h00

De acordo com a OMS, o Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa que mais acomete a população mundial - Photo by CURVD® on Unsplash
De acordo com a OMS, o Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa que mais acomete a população mundial - Photo by CURVD® on Unsplash

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa que mais acomete a população mundial, ficando atrás somente do Alzheimer. No Brasil, ela ainda é relacionada apenas a idosos, no entanto, dados publicados em revistas cientificas indicam que cerca de 10% dos diagnósticos são em pessoas com idade inferior a 45 anos. E, justamente pela falta de informação da doença em indivíduos mais jovens, foi criado o projeto Vibrar Com Parkinson, idealizado pela cientista e pesquisadora Danielle Ianzer, com o objetivo de auxiliar pacientes, familiares e cuidadores na manutenção do bem-estar e da qualidade de vida. Saiba mais sobre o projeto e a importância do diagnóstico precoce.

DOENÇA PRECOCE

Embora seja relativamente comum em idosos, o mal de Parkinson também acomete os jovens. Pouco conhecida no Brasil, a doença de Parkinson de Início Precoce compreende os grupos de Parkinson Precoce e Parkinson Juvenil, que acomete adultos com idade entre 21 e 40 anos e jovens com idade inferior a 21 anos. Apesar de ser considerada um mal de origem desconhecida, estudos mostram que a maioria dos casos de doença de Parkinson de Início Precoce é predominantemente de origem genética.

Os pacientes comumente apresentam a forma rígido-acinética, com bradicinesia, raramente tendo tremor. Outra particularidade desse grupo é a alta incidência de distonia, principalmente do pé, causando alteração de marcha e dificuldade para andar. Para Tarso Adoni, neurologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o maior desafio das pessoas com a doença é lidar com os aspectos sociais relacionados a essa afecção: “A doença de Parkinson traz limitações físicas e pode afetar pessoas que estão no auge profissional ou começando a constituir família", comenta.

SINAIS E SINTOMAS

A doença surge quando as células nervosas da base do cérebro que produzem dopamina, um neurotransmissor, são destruídas lenta e progressivamente. Com a perda desse grupo de células, a coordenação motora fica prejudicada. Os sinais apresentados antes dos 40 anos, geralmente, são iguais aos identificados nos idosos:

Tremor - habitualmente em repouso, iniciando-se em uma das mãos;
Rigidez muscular;
Lentidão dos movimentos;
Instabilidade postural.

Nos mais jovens, a doença de Parkinson pode ter uma velocidade mais lenta de progressão, porém, diante de qualquer um desses sintomas motores, é fundamental procurar ajuda médica.

TRATAMENTOS

Ainda sem cura, a doença pode ser tratada com diferentes abordagens que incluem medicamentos, cirurgia, terapias e atividade física. Os remédios, no caso, são utilizados para basicamente controlar
os sintomas e retardar a progressão da doença, melhorando a qualidade de vida do paciente - nenhum remédio reverte totalmente todos os sintomas ou impede a evolução do problema. Terapias multidisciplinares têm sido indicadas junto com o tratamento medicamentoso.

NASCE UM PROJETO DE BEM-ESTAR

Aos 36 anos, Danielle Ianzer recebeu o diagnóstico de Parkinson. A cientista começou a perceber os sintomas motores quando tinha 30 anos. Nesse período de seis anos, foram várias visitas a diferentes médicos, muitos exames e alguns diagnósticos errados, até que o quinto neurologista identificou a doença de Parkinson. Pelo fato de a mesma ser degenerativa, a demora no diagnostico favorece a evolução a doença e prejudica a qualidade de vida do paciente. Foi, então, que ela idealizou o projeto Vibrar Com Parkinson, cujo objetivo principal é auxiliar pacientes, familiares e cuidadores na manutenção do bem-estar e da qualidade de vida, por meio de divulgação e difusão de informações sobre a doença, tratamentos, entre outros.

O pontapé inicial da campanha de divulgação da doença de Parkinson foi dado com o apoio da modelo e apresentadora, Daniella Cicarelli, que vestiu a camiseta do Projeto e permitiu a divulgação em redes sociais. Quatro meses depois, veio o apoio do ator Raphael Montagner, que se tornou padrinho do projeto. E muitos outros famosos e anônimos se tornaram voluntários. O site www.vibrarcomparkinson.com aborda em detalhe o mal, traz dados a respeito da doença e muita informação embasada por especialistas. O projeto também realiza palestras e seminários com a participação de profissionais destinados a pacientes, familiares e cuidadores.