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Hora de falar sobre assédio

A questão entrou em discussão após caso no MasterChef Júnior. Veja como tratar o assunto em casa

Patricia Gebara Publicado em 02/12/2015, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

995 - Shutterstock
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No primeiro episódio do MasterChef Júnior, da Band, as menções a uma das participantes chamaram a atenção nas redes sociais, mas, infelizmente, não por suas habilidades culinárias. Valentina, de 12 anos, foi alvo de comentários pedófilos na internet. “Essa Valentina com 14 anos vai virar secretária de filme pornô”, disse um dos agressores. 
O caso abriu o debate para o assédio sexual infantil, que é banalizado e, muitas vezes, ignorado até pela própria família. Mas acontece em casa, na escola, na rua.... e deve ser combatido com toda a força! Conheça os sinais de que seu filho está sendo vítima de assédio e veja como ajudá-lo a lidar com isso. 

Identifique o problema
  • Se ele está quieto demais, triste ou irritado além da conta, desconfie. “Qualquer mudança  deve ser investigada”, diz Ana Cristina Fraia, psicóloga e coordenadora terapêutica da Clínica Maia, em São Paulo. 
  • Passar a ter vergonha do próprio corpo é um comportamento comum, mas atitudes hipersexualizadas também indicam assédio. 
  • Monitore sempre se a criança está com machucados pelo corpo e pergunte  (com bastante calma e sem acusações) como ela se feriu. 
  • Desenhos, brincadeiras e histórias são o meio mais comum de os pequenos se comunicarem. Fique sempre ligada ao que seu filho está tentando lhe dizer, sem usar as palavras.
  • Não ache que ele vá falar numa boa sobre o que aconteceu. Muitas vezes, o assediador ameaça a vítima para ela manter segredo. Por isso, o cuidado deve ser redobrado ao tocar no assunto (confira dicas mais adiante).

Realidade e fantasia
  • A criança fantasia, mas não mente. Segundo a psicóloga, é difícil ela conseguir inventar uma história como essa. 
  • Se há algo de errado, ela vai demonstrar, pode ter certeza! Mesmo não sabendo o motivo de ter passado por aquilo, ficará bem confusa. 
  • Converse sempre com o seu filho. Além de conhecê-lo melhor, você dará abertura para ele se sentir seguro ao falar com você. Assim, vai ficar muito mais fácil o processo. Esqueça os julgamentos! 

É crime!

Segundo os pais de Valentina, a menina não viu os comentários. Alguns dos agressores já tiveram os perfis retirados das redes sociais e podem responder pelo crime de difamação, já que assédio sexual infantil aplica-se 
apenas quando a vítima é menor de 12 anos. 


O que fazer?
  • Denuncie! Você pode ajudar outras crianças que passariam pela mão do abusador. Se for alguém da família, o sofrimento é maior, claro, mas é preciso tomar as devidas providências. 
  • Deixe seu filho confortável pra conversar sempre que quiser. Vocês precisam enfrentar esse trauma juntos!  
  • Procure um psicólogo para o pequeno e para a família. Normalmente, a mãe se sente culpada quando isso acontece, mas é preciso entender que muitas vezes não há como prever tudo.

Boca no trombone!

Site da SaferNet (bit.ly/1EAA3b9): Recolhe denúncias anônimas de crimes virtuais, como pornografia infantil. 

Canal do Cidadão (bit.ly/1POZ4Kh): O Ministério Público Federal também recebe acusações anônimas. 

Disque 100: Recebe, examina e encaminha as denúncias. A ligação é gratuita.

Delegacia da mulher ou da criança: Os pais podem se dirigir à mais próxima de casa.


Converse sobre sexo
  • Esse assunto não pode ser um tabu em casa. Aos 5 ou 6 anos, a criança vai começar a questionar e é importante que ela receba as informações, é claro, sempre de acordo com a idade. Não ponha a carroça na frente dos bois!
  • Diga que sexo é algo que os adultos fazem quando se amam muito. Ressaltar que o amor é importante pode fazê-la entender melhor. Porém, o principal é mostrar que só poderá acontecer com o consentimento dela.
  • Monitore as conversas na internet e use programas para evitar sites inadequados. 



#PrimeiroAssédio
Em meio a tudo isso, o projeto feminista Think Olga lançou a hashtag #PrimeiroAssédio no Twitter. O objetivo da campanha era mostrar que o abuso sexual infantil é muito mais comum do que imaginamos e não deve nunca ser banalizado. Diversas mulheres toparam o desafio e abriram o coração, revelando o que sofreram na infância. Confira alguns dos depoimentos: