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Nutrição infantil descomplicada

Crianças que ingerem sal e açúcar têm mais propensão à obesidade, diabetes e hipertensão na vida adulta

Caroline Cabral Publicado em 30/05/2017, às 11h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Nutrição infantil descomplicada - iStock
Nutrição infantil descomplicada - iStock
Você chega em casa após o serviço, abre uma cerveja e come uma porção de amendoins. Afinal, você merece um mimo para seguir com as tarefas – desta vez, as domésticas. Brincando na sala, seu filho a observa. Pode ser que ele não fale, que não entenda ainda... Mas é certo: ele captou e assimilou tudo que papai e mamãe fizeram, disseram e comeram próximos dele. Claro, você não serve amendoim e cerveja aos pequenos; e nem precisa: em algum lugar do cérebro a criança já registrou que é assim que os mais velhos fazem.

Melhore a relação com a comida
Como uma esponja, crianças de 0 a 8 anos mandam para dentro todo conhecimento que lhes é apresentado. Se no seu lar a alimentação é tratada casualmente para se manter vivo, atente-se em como se relaciona com os alimentos. Essa fase da vida é
crucial para a relação que seus filhos terão com a comida no futuro. “A formação do hábito alimentar acontece na primeira infância e é fundamental para uma vida adulta saudável”, explica a nutricionista Laís Thorpe, consultora da Mini Menu. Logo, escolher bem o que levar ao prato fará toda a diferença. “Crianças que têm acesso a sal e açúcar são mais propensas à obesidade, diabetes e hipertensão na vida adulta”, ressalta a nutróloga Ludmila Mendonça, do Hospital Brasília. Ludmila avisa que para acostumar os pequenos à cor, ao sabor e à textura dos alimentos que irão consumir a vida inteira “é importante entender e aplicar a alimentação
complementar na rotina familiar”.

COMO ALCANÇAR O EQUILÍBRIO NUTRICIONAL?
Um adulto que corta carboidratos das refeições por uma semana consegue eliminar até 3 kg no período. Para uma criança, a restrição de qualquer grupo alimentar pode atrapalhar o desenvolvimento físico e cognitivo na fase do crescimento.

ALIMENTAÇÃO X IDADE
A Organização Mundial da Saúde sugere que o alimento exclusivo de crianças de 0 a 6 meses seja o leite materno. “Ele possui os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê nesta fase”, afirma Aline Magnino, pediatra do Hospital Pediátrico Prontobaby e Membro do Comitê de Nutrologia da SOPERJ. A partir de meio ano de idade, a indicação é inserir a alimentação
complementar na dieta infantil, rica em nutrientes, fibras e vitaminas. Até o primeiro ano de vida evite sal e açúcar. Tudo que oferecer ao seu filho nesse período terá grande impacto no restante da sua vida. “Papinhas e sopinhas industrializadas eram recomendadas antigamente. Hoje, o ideal é apresentar os mesmos componentes deste tipo de comida separadamente para a criança já se acostumar com os alimentos”, recomenda Ludmila. A partir de 1 ano e 8 meses, a criança se torna mais seletiva com suas opções alimentares. “Diversificar as refeições dela a partir dos 6 meses faz com que a transição seja mais branda e a criança rejeite
menos as opções disponíveis”, analisa.

CONVENÇA SEU FILHO A COMER SAUDÁVEL
Pratos coloridos
Além de deslumbrar os olhinhos brilhantes dos pequenos, a diversidade de cores tem uma gama interessante de nutrientes.

Namorando a comida
Transformar a refeição saudável em um momento divertido e descontraído ajuda a criar relações de prazer com a comida. Esqueça tablet, TV e celular: na hora de comer, a atenção é toda do prato!

Coalhada caseira
O cálcio é uma fonte importante para a criança. Investir na coalhada caseira, livre de conservantes, é um bom caminho.

GRUPOS DE ALIMENTOS FUNDAMENTAIS
Pautar a alimentação da casa nas necessidades básicas da criança pode ser benéfico para a família toda. E, sim, isso é possível mesmo frente à rotina corrida e estressante. A seguir, conheça os seis tipos de alimentos essenciais para as refeições das crianças a partir dos 6 meses. Eles devem ser servidos tanto no almoço quanto no jantar todos os dias. 

PROTEÍNAS (carne, frango, peixes, ovos) “Os peixes são ricos em ômega 3 – ácido graxo essencial nas membranas celulares, auxiliando em sinapses nervosas –, vitaminas e ferro – essenciais para prevenir a anemia, metabolizar proteínas e fortalecer o sistema imunológico. As carnes também possuem ferro e zinco, importantes para o desenvolvimento cognitivo”, completa Aline.

LEGUMINOSAS (feijão, ervilha, grão-de-bico, lentilha) Fontes de ferro, zinco e magnésio. Sirva de uma a três colheres (sopa)
ao dia: cozidas, secas ou cruas.

TUBÉRCULOS (batatas, inhame, mandioquinha) Para preservar os nutrientes, faça-os no vapor. Também é possível prepará-los
com a casca, aproveitando ainda mais o que cada item pode oferecer.

HORTALIÇAS (verdes, como chuchu, abobrinha e brócolis, e coloridas, como beterraba, cenoura e repolho) Lave bem e prepare, preferencialmente, no vapor.

CEREAIS (milho, arroz, macarrão) Sirva a massa com molhos caseiros e evite o branco, que é bem gorduroso.

FRUTAS Opte por duas porções ao dia e mescle as laxativas (mamão, manga e laranja) com as constipantes (maçã, goiaba e pera).