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Você e a garotada: O jeito certo de compensar os filhos

Há controvérsias quanto à questão da premiação e alguns educadores argumentam que o prêmio é importante para criar referência de algo que é certo ou errado

Dra. Deborah Moss Publicado em 17/08/2017, às 14h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Você e a garotada: O jeito certo de compensar os filhos - iStock
Você e a garotada: O jeito certo de compensar os filhos - iStock
"Prêmio por bom comportamento funciona? Como devo aplicar esse conceito em casa?”

A.L., por e-mail

Educamos as crianças a estarem preparadas para enfrentar o mundo e, nós, adultos, temos a real consciência de que tudo que ganhamos na vida, geralmente, é por meio do suor, de desempenho e dedicação. Certo? 
Neste sentido, o recomendado é, em vez de premiar o bom comportamento, focar na consequência de se comportar bem. Por exemplo, a criança cumpriu a obrigação diária de arrumar o quarto, logo, terá um ambiente organizado e estará livre para brincar. Neste caso, a hora de brincar será a consequência de ter realizado a tarefa de sua responsabilidade. 
Se ela tivesse postergado ou não cumprido o combinado, além do quarto desarrumado, não brincaria. 
A consequência de um bom comportamento pode garantir a noção de organização, responsabilidade e autonomia. Já a premiação é esperar do outro o reconhecimento de suas boas ações. Outro exemplo: tirar o prato da mesa e lavá-lo depois das refeições. Se cada um na casa fizer isso, não vai sobrecarregar a mãe ou o pai e ainda sobrará mais tempo para jogar um jogo em família. 
O que está em questão aqui é o efeito positivo do cumprimento da tarefa. Isso é diferente de ganhar um prêmio ou brinde por ter feito o que foi previamente combinado. 
Esperamos que nossas crianças tenham maturidade, no seu tempo, de se preocuparem com as consequências de seus atos, tendo como prêmio a consciência tranquila de que conseguiram realizar a sua parte.

Premiar o comportamento infantil com a permissão da utilização de dispositivos eletrônicos não é uma boa ideia. Para pequenos de 2 a 5 anos, o uso de mídias digitais deve ser limitado a uma hora diária e envolver programação de alta qualidade ou algo a que os pais e filhos assistam juntos.



Dra. Deborah Moss Neuropsicóloga especialista em comportamento e desenvolvimento infantil e mestre em psicologia do
desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP). Consultora do sono certificada pelo International Maternity and Parenting Institute, no Canadá.

Envie suas perguntas para dra. Deborah Moss pelo e-mail anamaria@maisleitor.com.br