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''É se doar e receber o bem'', diz voluntária sobre educação de moradores em comunidades

No Dia do Voluntariado, contamos a história de uma participante do Núcleo de Educação em Paraisópolis, na cidade de São Paulo

Naty Falla Publicado em 28/08/2020, às 08h20 - Atualizado às 09h47

Alessandra Crippa no PECP - Arquivo Pessoal
Alessandra Crippa no PECP - Arquivo Pessoal

AlessandraCrippa, 48, sempre teve vontade de se tornar voluntária, como forma se doar para a sociedade. Esse sonho tornou-se realidade por conta de seu filho, Vitor, que é um jovem com necessidades especiais. Após auxiliar nos estudos do garoto durante sua formação escolar, ela acabou vendo a oportunidade de ingressar como voluntária no Núcleo de Educação do Programa Einstein na Comunidade de Paraisópolis (PECP), do Hospital Israelita Albert Einstein.

Assim como ela, a missão de ajudar torna-se um chamado de vida para muitas pessoas ao redor do mundo. Tanto que, nesta sexta-feira (28), celebra-se o Dia Nacional do Voluntariado, que é dedicado a quem doa parte do seu tempo, sem remuneração financeira, para atividades sociais. O que é o caso de Crippa.

Ela acredita que, por ser uma pessoa privilegiada, em termos de ter uma família estruturada, unida e com condições financeiras, precisava se doar. “Como cidadã e como cristã, precisava fazer essa doação do meu tempo para ajudar o próximo. Creio que esse é o meu papel para a sociedade”, relata. 

Segundo ela, Vitor foi um aprendizado. “Tive que lidar com as dificuldades dele, tanto físicas quanto emocionais, além da questão educativa. Querendo ou não, meu filho não acompanhava as outras crianças da idade dele e precisei ajudá-lo a lidar com isso. Fechei minha empresa de eventos e comecei a me dedicar completamente a ele, ajudando-o em tudo que era possível”, conta. 

A jornada de Alessandra como voluntária começou em 2012 quando o filho ficou mais independente. Durante uma ida ao hospital, ela se deparou com o PECP e se interessou pelo programa, que é dividido em 5 núcleos, sendo um deles o de educação, que tem 3 frentes: brinquedoteca, estação cidadã e estação do conhecimento, que é a biblioteca. Atualmente, ela é voluntária deste núcleo, que tem o propósito de promover a transformação social de crianças, jovens e adultos da comunidade e adjacentes. 

“É MAIS QUE DOAR, É RECEBER”
Sem segurar a emoção, Crippa conta que o sentimento de ser voluntária vai além da vontade de oferecer uma parte de sua vida ao próximo. Para ela, é uma via de mão dupla. “É uma troca. Quem faz o bem se sente bem e também o recebe. Satisfação para os dois lados, não é só a doação de ajudar o próximo, esse próximo também me ajuda. Por exemplo, quando eu perdi o meu pai, de uma forma muito brusca, voltei para o voluntariado, encontrei ali a força para seguir. Ali foi o meu suporte. Não podemos dizer que só nós estamos fazendo o bem, todo estão”, ressalta. 

Ser voluntária do programa, segundo Alessandra, é um aprendizado diário. “Especialmente com as questões que as crianças e adolescentes trazem, com todo o carinho, confiança que os pais depositam na gente. É uma satisfação em poder ajudar, se sentir útil, abraçar uma causa”, detalha. 

SEM JULGAMENTOS
A voluntária diz que existem muitas histórias que ficarão em sua memória. Entre elas está a de uma beneficiária do programa, que é ex-moradora de rua e é mãe de três filhos. “A gente vê que ela se esforça para dar educação e superar as dificuldades que tem, por ser também ex-usuária de drogas”, ressalta Alessandra. “Por conta de sua história, ela é julgada na escola do filho, pois é vista como uma ‘drogada’. Mas aqui vê a diferença, porque pontuamos que não estamos aqui para julgar e sim para ultrapassar as barreiras. Precisamos entender que toda pessoa tem uma história por trás”, completa. 

FALTA DE RECURSOS
Com a chegada da Covid-19, o programa que era 100% presencial precisou passar por mudanças. No mês de março foi necessário parar todas as atividades, até pelo fato de alguns voluntários serem parte do grupo de risco. No entanto, o isolamento social trouxe ainda mais problemas para as famílias da comunidade.

“Mais da metade dos alunos não estavam conseguindo acompanhar as aulas virtuais de suas escolas, por não ter acesso à Internet ou não possuírem um acompanhamento em casa, pois os pais estavam ocupados trabalhando ou com dificuldades para compreender o método de ensino”, conta. 

Pensando nisso, o PECP optou por continuar nas plataformas on-line, para manter os estudantes motivados e reforçar a importância do estudo. No entanto, como nem todos possuem acesso, também teve o retorno do acompanhamento presencial para quem precisa de mais apoio com a educação, seguindo todas as normas de segurança e prevenção. 

De acordo com A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC) 2018, divulgada em 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet. Isso representa cerca de 46 milhões de brasileiros que não acessam a rede.

“A gente conseguiu um número de alunos que precisavam ser atendidos presencialmente. Tomando todos os cuidados necessários, estamos com mais colaboradores. Agora, o foco é conseguir expandir e atender mais crianças”, conta Alessandra. 


Foto: Arquivo Pessoal

QUER SER VOLUNTÁRIO?

Caso queira participar como voluntário em alguma organização, Crippa alerta que não basta apenas ter vontade, é preciso responsabilidade e organização. "Quando temos uma candidata a voluntária, é preciso ver primeiro se ela tem uma identificação com o setor que deseja trabalhar. Ela tem que saber que as pessoas ali vão depender dela, por isso tem que ter dedicação e comprometimento", pontua a voluntária. 

  • Para integrar o programa do Einstein, é preciso ter quatro horas disponíveis por semana, além de muita dedicação e comprometimento. O processo seletivo se inicia com uma palestra que ocorre todo mês para apresentar o Voluntariado, frentes e setores de atuação. Para se inscrever para participar da palestra, basta ligar pelo telefone (11) 2151-3580.
  • O Projeto Adote uma Escola faz parte do Programa Mares Limpos da IDE Itapema Desenvolvendo Esperança, ajudando Escolas Públicas em Guarujá, SP que atendem Comunidades Carentes a superar estes desafios, iguais ou ainda maiores. Clique aqui para saber mais.
  • Outra opção também é A Associação Keralty Brasil, que é uma ONG que cuida de pessoas em situação de cuidados paliativos com doenças crônicas incuráveis. A organização está procurando pessoas para escrever cartas motivacionais para um idoso. Clique aqui para saber mais.